Sexta passada passei por um pitbull em plena geral de Canasvieiras. Ouvi um “ai meu Deus” vindo da pessoa que estava sentada em um banco próximo e percebi também que muitos se aproximaram das paredes, enquanto eu admirava o cãozinho passando ao meu lado. Eu sem medo dele, ele sem medo de mim.
Quando criança eu tinha medo de mendigos, ciganos e velhos. Hoje pessoas maltrapilhas me levam a esconder minhas coisas de valor, carros andando devagar me fazem apressar o passo e pessoas estranhas me adicionando no Facebook me fazem pensar: “WTF!?”. Mas cães, apesar de ter sido mordido por um vira-latas quando criança, não costumam me deixar apreensivo.
Acontece que há muito tempo aprendi a identificar as intenções de um cachorro solto na rua e o que ele pode interpretar como uma ameaça, além do que, minha mãe tem uma pitbull muito dócil, o que me fez perder completamente o preconceito com a raça. Conviver faz perder o preconceito.
Por natureza todas as pessoas tem preconceito, faz parte do instinto de sobrevivência. Você pode aprender a ser preconceituoso com seus pais ou mesmo com suas próprias experiências, muitas vezes por medo ou simplesmente ignorância. Só quem sofre com algum tipo de preconceito tem o poder de mostrar que não há motivos para medo, ao menos que o receio venha do próprio discriminado. Medo gera preconceito, de ambos os lados.
Como vê, nenhuma parte deste post é preconceituoso. O título não fez do texto algo homofóbico, racista, anti-ambiental, carnívoro ou matematicamente incorreto. E você, começou a ler este texto com preconceito?
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