Viva ao capitalismo burro e compulsivo!

Dezembro 14, 2008 (Domingo)

No início desse ano decidi comprar um celular bom, mas tinha que ser mais do que uma simples penteadeira, tinha que ser “o celular”.

A possibilidade do lançamento do iPhone no Brasil acabou adiando cada vez mais essa aquisição, porém quando o dito cujo foi lançado pelas operadoras brasileiras como artigo de luxo, percebi que aquele pedaço de vidro contorcido não valia nem a metade do que elas estavam pedindo. 

Desde então comecei a procurar por celulares alternativos, não fazia questão de um smartphone, só precisava ser um aparelho bonito e útil. 

Hoje encontrei o que parecia ser o fim destas buscas: Sony Ericsson F305. Além de possuir todas funções que eu precisava, ainda estava de graça em um plano de R$ 73,77 compartilhado com a Claro — tudo perfeito, se não fosse PURA ENGANAÇÃO.

Neste natal a Claro lançou a promoção “Compartilhar”, trata-se de uma imitação barata do plano “Pula-Pula” da BrasilTelecom, onde você paga em um mês e fica isento da franquia no próximo mês. O que não fica muito “claro” é que a promoção só é válida nos 6 primeiros meses e o plano de fidelidade é de 12 meses.

Na minha lógica eu ainda sairia no lucro, estaria ganhando um celular legal e me livrando da BrasilTelecom, pois aproveitaria a portabilidade para migrar meu número. Novamente tudo perfeito, se não fosse somente mais uma isca para pegar consumidores compulsivos.

Saí de casa e fui até a loja da Claro para ver o aparelho de perto e fechar negócio. Depois de escutar durante uns 15 minutos a ladainha do vendedor e ele pedir ajuda para uns 3 outros vendedores que não sabiam o processo da portabilidade, o mesmo me informou que após uma “análise de crédito” a Claro só liberaria o plano de 70 minutos (R$ 66,02/mês).

Perguntei o motivo e ele não soube me dizer, só mostrou que o sistema não liberou o plano de R$ 7,75 a mais por mês.

A minha dúvida é ”Como uma análise de crédito rejeita uma pessoa sem restrições no SERASA/SPC e com uma renda bem acima da média?” e a minha resposta é ”Bingo!”

Um sistema configurado para traçar um perfil de “mal pagador” ou com planos pré-definidos para cada faixa etária, ou ainda um truque comercial que evita que celulares sejam dados de graça para clientes com condições de compra-lo, que aliás foi a primeira alternativa que pensei pois só essa operadora oferece este aparelho.

Uma coisa tenho certeza, isso não ficou claro para mim e quando eu tiver um tempo vou ligar para a Claro solicitando uma explicação plausível. 

Não gosto de ser tratado como um consumidor burro e compulsivo, por isso vou procurar este aparelho desbloqueado e usar na BrasilTelecom, onde pago uma fortuna por um plano que não uso e não tenho cobertura nem na minha casa, porém sou tratado com respeito.

Era uma vez um projeto…

Dezembro 9, 2008 (Terça-feira)

“Com todo respeito, eu sou a chefe da TI e tenho uma boa autoridade nisso. Se você pesquisar “google” no Google, você pode destruir a internet.” [link]

Retirei esta frase do sitcom inglês “The IT Crowd”, o seriado conta a história de uma equipe de TI que é gerenciada por uma pessoa sem capacitação alguma na área, porém com o tempo se adaptam a ela formando uma bela equipe. Uma história feliz que na vida real nem sempre se repete com os gerentes de projeto…

Para que serve um gerente de projetos?

Tanto no desenvolvimento de software quanto em qualquer outra área que se utilize de um gerente de projetos, sua função base é o de minimizar os riscos e falhas. Para garantir esta tarefa o gerente tem que estar atento a três variáveis: tempo, custo e escopo — também conhecido como o triângulo “bom :  rápido : barato”.

Em miúdos, as tarefas do gerente no ciclo normal de um projeto é conseguir recursos > planejar a execução > monitorar a execução > encerrar o projeto. Claro que nesse percurso ele pode encontrar várias outras tarefas interessantes, como por exemplo motivar a equipe, pois além de controlar prazos, um gerente de projeto gerencia pessoas.

Um bom gerente de projetos sabe que seu papel é dentro da equipeQuando ele se dá conta disso, percebe que só conseguirá seu objetivo se apoiar a equipe a cumprir suas metas. Infelizmente como o cargo é ainda muito abstrato, têm se visto no mercado cada vez mais pessoas despreparadas que se auto-intitulam “Gerente de Projetos”.

Não é difícil identificar esse tipo dentro da empresa, basta procurar pela pessoa atrás de um computador na mesa ou sala mais distante da equipe (as vezes nem fisicamente). Também pode-se identificar em uma conversa frente-a-frente ou no diálogo com o time, onde figuram o abuso de jargões que nada dizem e frases como “Vamos dar um gás!”, “Fica pronto hoje?” e “Está faltando pró-atividade em vocês!”.

A falta de experiência e, muitas vezes, a prepotência que o cargo oferece, faz com que o gerente desse tipo contamine a equipe, sugando sua auto-estima e afetando negativamente sua moral. Normalmente o tipo é motivo de piada para o time e, para descontar sua frustração, se utiliza da manipulação gerencial e ameaças (como um bom capataz).

Existem bons gerentes de projetos, estes muitas vezes graduados na área e com sólidos conhecimentos no tipo de projeto que trabalha. Este tipo de gerente consegue o respeito do time, tendo uma equipe produtiva e cumprindo seu objetivo principal: minimizar riscos e fracassos.

Para que serve O SEU gerente de projetos?

Sei que não tenho um grande público, mas fica aí a pergunta para quem quiser compartilhar um pouco de suas mágoas sua experiência com gerentes de projetos.

Abaixo algumas figurinhas que recebi pela primeira vez da minha ex-GP, Déia “Chefa” Zoboli, que sabia como se integrar a equipe e com certeza está muito além do perfil citado acima.


Mais figuras no site do Project Cartoon: http://www.projectcartoon.com/