Fábrica Di Chocolate vs Showcolate, na justiça.

Fevereiro 25, 2009 (Quarta-feira)

Nos últimos tempos a justiça brasileira tem dado exemplo quando se trata de internet. Frequentemente empresas [leia-se Google] viram notícia por ter de indenizar pessoas por danos morais em casos envolvendo a rede [leia-se YouTube, Blogspot, Orkut, Twitter e WordPress].

Claro que nem todas as decisões do nosso poder judiciário são certeiras, algumas mancadas como o caso “Cicarelli x YouTube” ou ainda a derrubada do Twitter errado não nos deixam esquecer o quão inexplorado é este tema.

Bem, não abri este post para chover no molhado, na verdade o objetivo dele é contar a história que envolveu a Fábrica Di Chocolate, empresa em que trabalhei, e sua concorrente direta, a Showcolate.

No fim de 2007 encontramos alguns domínios com nomes que lembravam “fábrica di chocolate” registrados com o CNPJ da “Showcolate Com. Chocolates e Correlatos Ltda.”.

Após eu incentivar o jurídico da empresa a entrar com um pedido de congelamento dos domínios, o próprio Ivan Macena foi até a delegacia  munido das páginas que imprimi do site Registro.br e registrou um boletim de ocorrência.

Semana passada, em uma visita a Fábrica, descobri que o BO foi incluído em outro processo que estava em andamento e depois de algumas audiências, nas quais a outra parte não compareceu, todos os domínios foram congelados.

Na época da abertura do processo, escrevi um texto com o título “Reconhecimento da concorrência” no blog da fábrica, lá também há links para os domínios congelados.

Edit 1:  Alterado o link da derrubada do Twitter pois tinha o mesmo link do caso “Cicarelli x YouTube”. Valeu George!

Carnaval e o ócio criativo

Fevereiro 24, 2009 (Terça-feira)

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou desses que conta os dias para o carnaval, se veste de mulher e vai entoando marchinhas até o amanhecer.  Ao contrário, faço mais o estilo que fica em casa, no sofá, assistindo a Mangueira [escola de samba] entrar [na Sapucaí].

Sei que pode parecer triste, mas pra mim o que sempre importou no carnaval foi o feriadão. Alias, sempre não, porque na minha pré-adolescência também era sinônimo de peitinhos na TV.

Balelas a parte, nesta segunda-feira de carnaval, eu trabalhei. Nesta terça-feira de carnaval, também irei trabalhar. Na quarta-feira de cinzas então, nem preciso dizer. Tenho que confessar que é broxante ver as ruas vazias, restaurantes fechados e todos elevadores no térreo. A cara de tédio e os resmungos constantes deixavam claro que o sentimento era compartilhado em todo o escritório.

Logo no início da manhã já dava para perceber o quão produtivo seria o dia, mas não tenho do que reclamar. Afinal, não gosto de carnaval e troquei meu feriado por um dia de folga na semana passada.

Apesar de amar o que faço, nessas horas gostaria de trabalhar no chão de fábrica. Não digo isso porque muitas empresas deram folga no carnaval só para diminuir os efeitos da crise, mas porque mesmo desmotivado eu conseguiria executar funções repetitivas.

Bem, talvez eu tenha mesmo que agradecer por estar trabalhando hoje. Mas ainda não entendo como empresas baseadas em conhecimento, conseguem achar que um dia como este pode ser mais lucrativo do que ter um funcionário feliz, descansado e satisfeito o ano inteiro.

PS: O próximo post como esse será no dia 26 de dezembro, comentando sobre o período “entre o Natal e o fim do mundo”.

Se ainda não perceberam, o rei está nú

Fevereiro 23, 2009 (Segunda-feira)

Ontem estava conversando com uma amiga que foi no show do David Guetta aqui em Florianópolis, ela comentou que o estacionamento normal era R$ 20,00 e o VIP saia por R$ 50,00. “Ridículo” foi a palavra que ela usou e eu respondi que eles estavam certos, afinal, eu não deixaria minha moto naquele fim de mundo.

Esta é a “lei da oferta e da procura”, quando vejo absurdos como esse sei que eles estão somente se aproveitando das facilidades do capitalismo. Não tenho costume de reclamar do preço das coisas, afinal, eles  foram expertos e devem ser recompensados por isso.

No caso do estacionamento, outros parâmetros importantes que definiram seu valor é a utilidade e a super valorização, só que estes parâmetros variam de pessoa para pessoa. Um relógio Rolex, uma caneta Mont Blanc e um terno Armani tem um valor excessivo e é muito útil para um alto executivo demonstrar seu status, para mim uma calça jeans, camiseta e celular é suficiente.

Não vejo utilidade para um Rolex, todas funções de um relógio tenho no meu celular. Mesmo sendo um executivo rico, eu ainda preferiria um smartphone ou um netbook ao invés de um Rolex e uma Mont Blanc, mas para pessoas como eu existe outro seguimento de mercado. Independente do segmento, ainda é baseado em aparências.

Artigos de luxo e diferenças de preço “ridículas”, apesar de trazerem algum benefício, como por exemplo o serviço de valet, não justificam seu valor e servem exclusivamente para mostrar que deve ser atribuido o sufixo “rico”, como em empresário [rico] ou filha de pai [rico].

Não tenho nada contra o sistema capitalista. Só acho que é um sistema baseado em aparências, como um rei que continua nú.

Tirando o gatinho do telhado

Fevereiro 22, 2009 (Domingo)

Sempre tive uma reserva pessoal sobre acreditar no que as pessoas falam sobre mim, principalmente sobre coisas boas. Quer dizer, se você não acredita realmente que é “bonito, inteligente e sagaz” como sua mãe diz, então porque acreditar em qualquer outra pessoa?

É natural as pessoas ficarem tão agradecidas a ponto de te elevar ao extremo. Isso acontece com sua mãe, que exalta cada realização daquele que ela viu crescer. Acontece também quando você salva a cabeça do seu chefe, entregando um relatório minutos antes de uma importante reunião, do mesmo jeito que acontecia quando você colocava o nome do seu colega de escola no trabalho que ele nem mesmo lembrava o tema.

Eu comparo esta gratidão com o sentimento de uma velhinha quando o bombeiro tira seu gatinho do telhado. Para ela, o bombeiro é um herói. Para o bombeiro, ela é uma velha histérica que pensa que os serviços de emergências não tem mais nada pra fazer.

Talvez meu problema esteja em receber elogios, mas talvez não seja um problema, pois acreditar em elogios pode ser muito perigoso. Imagine se o bombeiro pulasse do quinto andar de um prédio em chamas com um bebê no colo, só porque  a velhinha lhe fez acreditar que era um “super-homem”.

Quando uma pessoa recebe um elogio, parte dela se pergunta o quão válido ele  é, enquanto outra parte abafa a primeira afirmando que é o mínimo que poderia ser dito. Com o tempo, isso acaba fazendo a pessoa se sentir como o homem que sabia javanês, recebendo comendas por algo que nem faz idéia e com medo freqüente que descubram o impostor que realmente é.

Por isso prefiro não dar importância para os elogios de mãe e trabalhar para que os elogios venham silenciosos de qualquer outra pessoa.

Chama o técnico!

Fevereiro 21, 2009 (Sábado)

Trabalhar na área de informática tem seus prós e contras, o maior contra com certeza é todos acharem que você tem as respostas para todos seus “problemas informáticos”. Invariavelmente eu as tenho, mas isso não quer dizer que estou disposto a responde-las. 

Depois da sensacional camiseta com a escrita “No, I will not fix your computer.”, acho que a melhor maneira de demonstrar o quanto isso é frustrante, é a imagem abaixo.

Small talk with a web designer

original (em inglês)  pode ser encontrada no The Man in Blue, encontrei essa versão em português no site “Interativando” 

O que acontece é que ninguém pede para um engenheiro civil sentar um tijolo ou um chef de cozinha francês cozinhar um ovo. Não que eles não o saibam fazer, mas houve em algum momento um motivo para que não escolhessem esse seguimento.

Tive meu primeiro contato com computador aos 11 anos, aos 13 aprendi a programar, com quase 14 ganhei meu primeiro computador e comecei a me interessar e criar para internet. Aos 17 anos iniciei como instrutor de informática e aos 18 fui contratado pela primeira vez para exercer a função de designer; desde então não parei de estudar programação, design e projetos para web.

Apesar da minha evolução passar por diversos softwares e meus apuros me garantirem uma boa noção de hardware, eu sinto informar a meus amigos que não tenho o menor prazer ou qualquer momento nostálgico quando me pedem coisas como “Instalar o Windows”, “Ver por que _____ não funciona” ou “Porque minha máquina tá lenta?”.

Acredito que isso é um mal da maioria das profissões, provavelmente neurocirurgiões mundialmente famosos são indagados por sua emprega sobre “a dorzinha no polegar direito que a vizinha está sentindo” e respeitados advogados criminalistas são indagados por seus pais sobre a cobrança indevida que a operadora de celular fez.

Algo que evito ao máximo, é responder que não sei fazer. Onde ficará meu orgulho quando a pessoa dizer a alguém que eu não soube resolver?  Prefiro fazer como um técnico amigo meu, que quando encontrava dificuldade em resolver um problema gritava “chama o técnico!!”.