Na quinta passada (28), a “Operação Trilha” prendeu 80 suspeitos de crimes digitais em 12 estados brasileiros. Uma mega operação que, graças a uma barragem e um avião caído, não conseguiu prender a ateção da mídia por nem 24hs.

Claro que o objetivo dessa respeitadíssima corporação não é fazer propaganda, exibindo seus números fictícios em operações com nomes como “Cash Net”, Replicante, Ctrl+Alt+Del, Cavalo de Tróia e “Cavalo de Tróia II – A revolta”, mas eu arriscaria dizer que eles levam um ano para investigar e mais ou menos uns 4 meses para escolher o nome.

 

Já comentei em um post anterior, mas devo lembrar que dos criminosos indiciados nesta operação, os únicos que podem ser chamados de hackers, são os 4 à 8 programadores que a investigação apurada do delegado Disney Rosseti ainda não conseguiu chegar a um número correto.  Segundo o delegado, a prisão destes programadores é um grande avanço já que sem eles o crime deixa de existir. Pateta e Pato Donald também acreditam nisso.

A cerca de 10 anos conheci muita gente boa que, na época, gostava de se divertir sacaneando amigos ou até pixando alguns sites internacionais que ninguém fazia idéia que existiam. Hoje são pessoas respeitadas no meio, gente talentosa que usa seu dom em diversas áreas, facilitando a vida das pessoas e trazendo diversão através de jogos, sistemas ERP, sites de internet e outros. Infelizmente, alguns desses talentos não conseguiram resistir, achando no crime uma boa saída para ganhar dinheiro e alimentar sua curiosidade insasciável.

Este pequeno grupo são um exemplo dos hackers presos nestas operações. Eles desenvolvem um programa muito simples de fazer chamado muitas vezes de Key Logger, um programinha que consegue imitar o ambiente bancário e pedir gentilmente que o cliente digite informações que um banco nunca solicitaria.

 

Fazer um Key Logger é extremamente simples para qualquer programador com um mínimo de conhecimento. Mesmo presos, o programa que estes “hackers” fizeram ainda continuarão funcionando perfeitamente por meses ou até anos, gerando tempo suficiente para que outro programador recém diplomado pelo SENAC possa fazer o seu.

Prender os laranjas, aqueles que emprestam sua conta para receber o dinheiro em troca de um agradinho, também não parece muito efetivo. Prender aquele usuário básico que faz o processo de pegar a senha e transferir o dinheiro, é como prender ladrão de galinhas. Prender o boleteiro, que se oferece para pagar uma conta pela metade do preço, é só menos um intermediário na rua. Então me perguntam: Quem deve ser preso para que isso tenha um fim?, a resposta é simples: Você.

* Você que é aquele tarado que clica em qualquer e-mail que diz trazer as fotos mais quentes da última gostosa do BBB
* Você que é aquele usuário imbecil que repassa e-mails daquela menininha que nasceu sem orelhas e precisa de uma cirurgia urgente
* Você que é aquele cliente que mesmo o banco orientando milhares de vezes ainda digita as mais de 50 posições do seu cartão de segurnaça de uma vez só
* Você que é aquele cidadão incorruptível que achou uma maneira única de pagar suas contas com até 80% de desconto de maneira inquestionável
* Você que é aquele banqueiro que fatura alto com as fraudes onlines sempre que consegue convencer o cliente que a culpa é dele e nunca sai perdendo porque está sempre bem protegido por seguros e um lucro bilionário trimestral
* Você que é aquele criativo agente da PF que inventa nomes ’maneiros’ para as operações e atiça ainda mais os criminosos
* Você que é aquele responsável por indicar delegados com nomes engraçados que fariam até o cidadão mais honesto querer virar um criminoso digital
* Você que é aquele delegado mais interessado em divulgar números fictícios e fotos de gente que nem foi presa, ao invés de juntar provas suficientes para manter o indiciado na cadeia

Resumindo, o problema está com você, que em um restaurante nunca daria seu Visa Electron e sua senha para um desconhecido te livrar mais rápido da fila de pagamento, mas abre as pernas para primeira historinha mal contada que chega por e-mail. Ou você que prefere fazer marketing ao invés de um trabalho bem feito.

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