Saudade de tudo que eu ainda não vi
Junho 12, 2009 (Sexta-Feira)
“Matar, pilhar, salvar o mundo e permanecer solteiro” é uma das frases célebres do meu amigo Roberto “Hyperlink” Rajador, uma frase que exemplifica muito bem minhas experiências amorosas.
Tirando um amor platônico aos 13 anos, que inventado na minha mente foi perfeito por alguns anos, porém na realidade passou longe de se tornar real, nunca tive uma pessoa que eu pudesse chamar de “namorada”. Mamãe não se conforma com isso, afinal, se o bebê de 23 anos dela ainda não levou nenhuma menina pra ela conhecer, não pode ser um bom sinal.
Junho costuma ser o período do ano em que mais sinto saudade de tudo que ainda não vi, talvez seja o dia dos namorados e pelo fato de eu ficar mais velho, ou ainda pelo friozinho aconchegante que fica sempre melhor com alguém para dividir o cobertor.
Já me perguntaram várias vezes porque nunca namorei, e a resposta foi sempre a mesma: Namorada só serve para dar dor de cabeça. Mas sempre soube que um dia teria que engolir essa falastrice para poder “usar todos os meus poderes para o mal”.
Este ano algo mudou, é junho e aquele sentimento não chegou. Poderia culpar o inverno goiano, já que não supera nem o outono do sul, mas tenho que admitir que talvez alguém tenha preenchido esse vazio e, se tudo der certo, os próximos junhos também não afetarão este quase ex-solteiro convicto.
Feliz dia dos namorados para você e para mim. Seja você solteiro, casado ou enrolado.
=)
Primeiras semanas em Goiânia
Maio 2, 2009 (Sábado)
Depois da (má) avaliação do Hotel Comfort Flamboyant, vamos para um review das minhas duas primeiras semanas em Goiânia, que mesmo com seus altos e baixos ainda está com saldo positivo na minha opinião.
Quem me conhece já me ouviu falar isso, mas vou repetir, em geral a cidade parece muito com Joinville porém em um tamanho maior e uma população mais receptiva. Goiânia tem pouco mais de 1,2 milhão de habitantes, uma população quase três vezes maior que Joinville (apesar do PIB não acompanhar esta equação).
O trânsito daqui flui muito bem, até agora não vi engarrafamento. Não sou nenhum expert no assunto, mas eu atribuiria isso a um só motivo: Eles são muito loucos no volante.
Isso mesmo, pessoal aqui pisa forte no acelerador, faz ultrapassagens muito esquisitas, passeia entre as faixas e corta a frente na maior cara-dura, isso sem contar que sinal vermelho é enfeite e cinto de segurança acessório dispensável. Prefiro não me acostumar a essa loucura, então continuo usando o cinto, mesmo sendo o único no carro e meus amigos tirando sarro.
Os supermercados daqui são uma merda. Não costumo ser tão direto nos “elogios”, mas um supermercado que não faz entregas e faz você empacotar sozinho uma compra de mais de R$ 800,00 não merece polidez. Moro a três ou quatro quadras dos supermercados Carrefour e Walmart, e tenho que dizer que da primeira vez que vi meus amigos empacotando as próprias compras fiquei pasmo.
Mau vendedor merece mau comprador, por isso na minha primeira compra no Walmart fiz questão de mandar a caixa deduzir todos os itens menores que já havia passado, pois não os levaria já que ninguém empacotaria. No Carrefour pensei em fazer o mesmo, mas quando descobri que eles não tinham entrega a domicílio acabei fraquejando. Em vez de devolver, preferi jogar minha consciência ecológica no lixo e colocar um produto em cada sacola. Funcionou, quando a caixa viu o desperdício, ela e a vizinha vieram me ajudar com as compras.
Descobri mais tarde que o BIG de Joinville também não empacota mais as compras, então deduzi que eu havia sido mal-acostumado pelo Angeloni, mas continuo achando que tornar a experiência do cliente melhor deve ser a base para qualquer comércio, até o Comper sabe disso.
As noites são interessantes. “Interessante” é uma palavra que uso quando vejo algo diferente do que estou acostumado.
* Primeiro barzinho que fui com meus amigos foi o Deck Lounge, um lugar muito iluminado para ser bar, com música muito alta pra ser restaurante e com Cirque Du Soleil passando em diversas TVs de plasma espalhadas pelas paredes. Minha primeira impressão foi de um bar GLS, já que o menu começava com soft drinks e várias mesas tinham uma formação de pessoas meio incomum. Em resumo, não gostei, mas como “a compania que faz a festa” a noite acabou bem quando o grupo aumentou.
* Também conheci a boate D’BOU Dining Music, que fica dentro do shopping Bougainville, é um lugar bem agradável e com pessoas bonitas apesar de estar rolando show sertanejo no dia. Sem preconceito quanto a isso, pela geografia do estado já estava ciente que teria que me acostumar com estilo musical.
Já que não sei dançar e também não estava familiarizado com as músicas, esperei acabar o show da dupla Charles & Maicon para tentar “me dar bem”. Erro fatal. Logo depois deles sairem, um DJ de camisa xadrez colocou um CD de house (que ele deve ter achado na lojinha da esquina) e espantou todos da pista.
Talvez um repertório mais variado teria mantido o pessoal na pista, mas acho que elas curtiam mais o estilo sertanejo e mesmo com minha amiga armando dois “esquemas” pra mim, saí no zero à zero.
* Ontem depois de assistir Wolverine resolvi conhecer o Ciao Bella, um bar/boate que fica aqui do lado do meu prédio. Se o DJ do D’Bou pecava pela falta de variedade e do Ciao Bella pecava por excesso, indo de Axé para tecno e sertanejo sem pudor algum.
O lugar tem uma decoração interna bem legal, só o que estraga é o esquema de consumo deles. O valor da entrada você paga para os seguranças na porta da boate e as bebidas você retira com cupom fiscal que você compra a dinheiro no caixa. Até aí tudo bem, mas o que me chamou atenção é que você tem que carregar um cartão que é dado na entrada e só é pedido novamente na saída – não me pergunte o “por quê”.
Como cheguei no local por volta das duas horas, não vou opiniar sobre as pessoas que estavam lá, mas o local me parece uma boa opção para quando eu estiver sem nada pra fazer.
Marcas de cidade grande, publicidade de cidade pequena. Comparando Goiânia com Florianópolis, ela não é muito explorada pela propaganda. Florianópolis além de expor marcas nacionais em ponto de ônibus, faz propaganda até da padaria da esquina.
Apesar de no quesito “Propaganda” Goiânia estar mais parecida com Joinville, no quesito “Marcas” ganha de qualquer cidade catarinense. Algumas que já vi por aqui foram: Carrefour, Pão de Açúcar, Walmart, Sam’s club, Hugo Boss, Siciliano, Saraiva, Outback, Burguer King, e também as mais comuns como McDonald’s, Bobs, Giraffas, Habib’s, Cinemark e principalmente Subway, que tem até em loja de conveniência de postos de gasolina.
Em resumo, a cidade é bem “interessante” e se conseguir mudar alguns dos meus hábitos, acho que vou me adaptar bem com ela.
Ter um blog é fácil, difícil é manter
Fevereiro 10, 2009 (Terça-feira)
Quem leu o primeiro post sabe que criei meu blog porque “um dia acordei com vontade de blogar”, naquele dia não sabia realmente se queria ter um blog até clicar no botão “Publicar”, desde então as pessoas me param na rua e perguntam “Christoffer, sobre o que é o seu blog?”, e um silêncio absoluto invade a minha mente me deixando sem respostas.
Meu blog é sobre qualquer coisa. Não preciso de um tema para ele, sei que a maioria dos visitantes cairão de para-quedas vindos de algum mecanismo de busca qualquer. Também sei que escrever estes dois parágrafos não irá justificar ter ficado quase dois meses sem postar nada, o que me remete ao título deste texto: Ter um blog é fácil, difícil é manter.
No final de 2007 criei um blog para Fábrica Di Chocolate, a idéia era um criar um meio de atrair visitantes através de assuntos aleatórios envolvendo o produto e a idéia de negócio. O objetivo era “ser informal” e por isso mantive notícias gerais, indo desde informativos sobre investimento até alfinetadas no concorrente principal. Depois da minha saída da empresa, o blog não teve muito movimento e frequentemente tento lembra-los que ele ainda existe.
Ter um blog é diferente de manter um blog, escolher assuntos fresquinhos e elaborar um textos pomposos pode levar horas. Este post por exemplo, já estou a quase uma hora nele e ainda está na metade.
Manter um blog pessoal pode ser uma tarefa mais simples, você pode falar sobre seu dia-a-dia e coisas que gosta de fazer. Manter um blog corporativo é algo mais complicado, você precisa realmente ter atualizações frequentes, pelo menos duas por semana. Manter um blog com assunto específico é mais doloroso, você precisa dar uma dose de feed constante aos usuários senão eles procuram outra fonte. Manter meu blog é uma experiência espiritual, só preciso escrever grandes textos de tempos-em-tempos e ficar me martirizando por não conseguir ser mais frequente.
A primeira vez que ouvi a palavra “weblog” saindo da boca de uma pessoa séria, foi quando minha professora de sociologia do terceiro ano fez em particular um comentário sobre “um novo tipo de mídia” que ela havia lido a respeito, provavelmente não levei nenhum pouco em consideração, afinal ela tinha quase 60 anos e para mim blogs eram só “diários virtuais”.
Hoje acho que deveria ter levado a senhora Monita Reimer-Ridgway mais a sério, mas não posso me culpar, eu era o único da escola inteira que dava algum crédito a ela. Apesar de um pouco excêntrica, percebi mais tarde que ela realmente sabia o que estava dizendo, infelizmente eu não era maduro suficiente para entender que aquela mulher poderia me ensinar muito sobre design, internet e tendências.
Além de blogs, foi dela que levei o primeiro puxão de orelha por não dar “ar para o texto respirar” e não calcular o espaço disponível do papel antes de escrever. Ela também falava de coisas como spam e sobre visitantes que não ficariam a vontade se o site tivesse um menu vertical com o texto na vertical. Monita era realmente uma pessoa fascinante e com uma impressionante história de vida, se você encontrá-la na rua ou promovendo um evento de moda na sua região, fica como sugestão puxar conversa com ela.
Enquanto não encontro uma nova especialista em moda/professora de sociologia para conversar, continuo escrevendo textos inconstantes para meu blog e deixo o desafio: Crie um blog, Tenha um blog, Mantenha um blog.
PS: Tenho que admitir que nunca me pararam na rua, mas gosto de pensar que a causa são os fones de ouvido.
Nerd só se ferra..
Setembro 28, 2008 (Domingo)
Antes de sair de Goiânia flertei rapidamente com uma gata muito linda [e um par de cochas muito interessantes], mas entre a conversa com o Daniel e os goles de café acabei perdendo-a de vista.
Ao chegar em Guarulhos parei em uma livraria para ver uns livros, de cabeça baixa enquanto lia a contra-capa de um deles percebi que alguém parou ao lado, subi levemente os olhos e lá estava a mesma moça do aeroporto anterior.
Como um bom representante do sexo masculino fiz o “check-in” imediato, começando dos pés até a cabeça, ao chegar ao rosto reparei que ela estava com um livro na mão mas não estava mechendo os olhos e dei um sorriso porque sabia que ela estava olhando para mim, no mesmo instante ela disse “Esse livro é muito bom”, pelo pedaço que li sabia que o livro era uma porcaria e ela estava só puxando assunto então perguntei se ela já tinha lido, quando ela ia responder a amiga dela chegou do lado a puxando para os acentos.
Agora a questão é: “Procurar wi-fi livre ou ir atrás e tentar se desvencilhar da amiga?”, como um bom representante da classe nerd, fui procurar uma rede wireless para dar uma navegada, entrar no msn e consultar o e-mail.
Um dia depois me pergunto se valeu a pena e a resposta obviamente é um sonoro “NÃO”, por dois motivos simples: 1º Não havia wi-fi livre, só pago e 2º Ela estava no portão 5 e eu fui procurar o sinal no 7.
Aeromoça, tem um gremlin na asa esquerda
Setembro 28, 2008 (Domingo)
A algumas semanas recebi uma proposta de trabalho excelente da Kiyomasa Systems (mudou o nome para Ultralogic), uma empresa especializada em softwares de segurança biométrica que está sendo montada em Goiânia, porém como o contato e toda negociação foi feita sem contato físico fiquei apreensivo em bater martelo.
Semana passada surgiu o convite de conhecer a empresa e a cidade, tudo por conta da Kiyomasa e sem compromisso algum da minha parte. Aceitei o convite e na última sexta-feira pela manhã embarquei para a capital goiana.
Foi minha primeira vez em um avião e quando estava no ar, olhei para a asa esquerda e lembrei de um filme onde um menino falava “Papai, tem um monstro na asa do avião” e o pai não acreditava, mas depois do garoto repetir ele via também, se assustava e o avião caía — sorte que eu não pensei no filme Premonição.
Primeira impressão: Decolei de Floripa às 6:30, achei legal a pressão na subida e quando cheguei lá em cima me peguei pensando “puxa, eu deveria ter viajado de avião antes de conhecer o Google Earth”. Sem graça, até o Maps é mais emocionante.
Café da manhã: Depois da tradicional balinha de CARAMEEEELOO, veio o café da manhã: Biscoito, duas torradas, requeijão, doce de uva e um cafezinho para acompanhar.
Primeiro pouso: O pouso foi mais interessante, as voltas que o avião dá para se alinhar a pista e a repentina perda de altitude pouco antes de chegar ao aeroporto dá uma sensação legal, acho que é aquele famoso friozinho na barriga.
Conexão Brasília: Cheguei em Brasília às 8:56, dei umas voltas no aeroporto e fui correndo para o portão de embarque enquanto ouvia meu nome no alto-falante. Meu segundo vôo saiu às 9:40, ganhei mais balinha de caramelo e um fone de ouvido de presente da TAM.
Chegada em Goiânia: Cheguei no destino final às 10:25, aguardei alguns minutos lendo o “Dicionário Goianês” e logo chegou o dono da empresa, Daniel Bichuete, para me apanhar.
Demos algumas voltas na cidade e fomos conhecer as novas instalações da empresa, uma sala pequena porém com uma estrutura digna de Google: Maquinas top, um super servidor, frigobar, microondas, televisor de plasma, Playstation 3, puffs e um colchão escondido para tirar uma soneca depois do almoço.
A estrutura é uma fortaleza, vidros e portas blindados e várias câmeras, a idéia é ser um exemplo de aplicação do sistema de segurança que a empresa irá vender. Ele planeja implantar o sistema de reconhecimento facial produzido pela própria Kiyomasa em todas as portas.
Saindo da empresa, demos uma passada no McDonald’s, que é vizinho de porta com o prédio da empresa, trocamos algumas idéias sobre a estrutura, fomos a uma conveniada da Certisign para buscar meu e-CPF e ficamos até umas 17hs na churrascaria do Chitãozinho e Xororó onde entramos em detalhes sobre a proposta e as espectativas.
Para terminar a tarde passamos em uma imobiliária para dar uma olhada nos preços de apartamentos, pegamos algumas chaves e visitamos durante a noite, logo após passar na casa do Daniel para ver o software funcionando.
Dando um ponto final no dia, reviramos durante horas a cidade a procura de um hotel - todos lotados -, até que achamos um Plaza Inn onde peguei o último quarto. Hotelzinho bem prático e com um atendimento legal, mas já eram 2 da manhã e meu sono deve ter influenciado nesta opinião.
Pela manhã liguei para o Daniel e fomos para o aeroporto, tomamos um café e conversamos mais um pouco sobre a empresa. Nos despedimos e peguei meu vôo das 10:20 para Florianópolis com baldiação em Guarulhos.
Terceira decolagem, terceira rodada de caramelo e segundo café da manhã de avião, desta vez um pãozinho show de bola com um suquinho de laranja com gominhos.
Chegando em guarulhos (+/- 12:30), fiz minha trapalhada da semana e embarquei para Florianópolis com o vôo remarcado às 17:40. Guarulhos para Floripa teve mais um lanchinho de avião, outro pãozinho show de bola com suquinho. Neste último trajeto ganhei um brinde da Clear, mas esqueceram de passar a cestinha de caramelo…
Chegando na região de Florianópolis uma noite (19hs) chuvosa me fez lembrar novamente do garotinho do filme, mas para não causar pânico preferi não soltar a máxima: “Aeromoça, tem um gremlin na asa esquerda”.
Próxima parada: Florianópolis
Setembro 27, 2008 (Sábado)
Passagem de avião Florianópolis-Goiânia (ida e volta)
R$ 1514,00
Duas horas de internet Wi-Fi Vex
R$ 15,00
Perder o vôo de conexão por estar escutando Jack Johnson e lendo
”Por que homens fazem sexo e as mulheres fazem amor”.
Não tem preço!
Alguém achou que algo assim pudesse não acontecer com o Christoffer? Primeira vez viajando de avião, porém com uma experiência de três pousos e três decolagens, é claro que já me achei com know-how suficiente para embarcar no último minuto. Infelizmente meu ego foi abalado ao chegar 9 minutos antes da saída e ser informado que o último ônibuzinho tinha acabado de sair…
Obviamente que na versão oficial omiti as informações que entregavam minha auto-confiança excessiva e inventei uma história extraordinária para não pagar multas e taxas de reembarque. Dei sorte que no meu cartão de embarque estava escrito portão 5 e o avião foi realocado para o portão 1B. Detalhe: Eu estava no 7.
Nesta brincadeira perdi 2 horas e 40 minutos, além de qualquer chance de ir no aniversário da minha mãe em Joinville.
Agora estou aqui blogando com a conexão de internet mais cara que jamais na vida pagarei novamente, enquanto aguardo – com atenção – a chamada do meu vôo, ao som de Time Of Your Life – Green Day.