A galinha e os ovos

Setembro 3, 2009 (Quinta-feira)

Algumas pessoas já me perguntaram o motivo da frase tema do meu blog “…e matar a galinha, resolve o problema dos ovos”. Algumas pessoas já tiveram a má sorte de me ouvir proferir esta frase e não a entenderam. Pois bem, para os curiosos, se trata de uma analogia sobre decisões precipitadas.

Quem se aventura na frente de uma empresa, logo percebe que “Administrar é a arte de fazer a escolha certa” e já deve estar preparado para ser lembrado mais pelos seus erros (que acontecerão), do que pelos acertos. Obviamente, se ponderarmos certos administradores, veremos que uma boa parte prefere matar a galinha.

Se a galinha der poucos ovos, mate-a e coma a carne. Se a galinha der ovos de ouro, mate-a para adiantar seu lucro.

Microsoft dos anos 90

Agosto 31, 2009 (Segunda-feira)

Quando o assunto é “melhor empresa para se trabalhar” o nome da Google geralmente encabeça a lista. Horários flexíveis, alimentação gratuita variada, massagem para os funcionários, jogos durante o expediente e até aquela folguinha para dar um mergulho.

A mídia mostra a gigante das buscas como uma empresa liberal e inovadora na maneira como trata seus funcionários, fazendo com que profissionais da área alimentem o desejo de trabalhar na Google ou ainda, larguem qualquer outra empresa para isso. Alimentar a idéia e estar no topo de todas as listas faz parte dos objetivos da empresa, atraindo os melhores para seu grupo de trabalho.

O método de trabalho da Google não é exclusivo e nem mesmo inovador, a maioria das jovens empresas dotcom trazem consigo a idéia de deixar o profissional cada vez mais a vontade para desenvolver seu trabalho. Alías, entre as concorrentes da Google, temos a Microsoft que sempre levantou a bandeira de “faça como achar melhor, desde que cumpra suas metas”.

Antes mesmo da Google desabrochar, a Microsoft já era notícia aqui no Brasil e em todo mundo por sua maneira diferente de tratar seus empregados, mas com o aumento das responsabilidades e do quadro de funcionários a empresa teve que impor algumas restrições. Restrições que também estão sendo adotadas pela Google nos últimos anos, que hoje controla até o que seus funcionários comem, agora fica a dúvida: Será que com o tempo as empresas percebem que a produtividade não justifica/paga tais regalias?

 


Matéria sobre a Microsoft exibida pelo Fantástico nos anos 90.

 

A dança da chuva

Março 2, 2009 (Segunda-feira)

Paciência nunca foi uma das minhas melhores qualidades, não gosto de decisões demoradas ou de esperar por algo que já deveria ter chego. Sobretudo, sou do tipo que faz questão de chegar atrasado para não ter de esperar.

Você já parou para contar quantas vezes olhou para o relógio, celular ou observou uma placa distante enquanto espera por alguém? Sei, isso realmente é um saco, mas é o mais puro conceito da famosa dança da chuva. Você se mantém dançando até que ela caia. Sempre funciona.

Ao contrário de nossos nossos ancestrais, a metereologia e o forno microondas nos educaram a não esperar até a chuva chegar. Hoje preferimos praticar uma nova técnica: reclamar até ela cessar.

Minha técnica atual para driblar meus anseios é me manter ocupado com subtarefas do objeto principal da minha impaciência, isso me deixa ocupado o suficiente para não precisar reclamar.

Basicamente, minha técnica se baseia em “me manter dançando até que ela caia”, ou pelo menos até que o primeiro escorregão me faça perceber que não adianta esperar e é melhor partir para outra.

Carnaval e o ócio criativo

Fevereiro 24, 2009 (Terça-feira)

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou desses que conta os dias para o carnaval, se veste de mulher e vai entoando marchinhas até o amanhecer.  Ao contrário, faço mais o estilo que fica em casa, no sofá, assistindo a Mangueira [escola de samba] entrar [na Sapucaí].

Sei que pode parecer triste, mas pra mim o que sempre importou no carnaval foi o feriadão. Alias, sempre não, porque na minha pré-adolescência também era sinônimo de peitinhos na TV.

Balelas a parte, nesta segunda-feira de carnaval, eu trabalhei. Nesta terça-feira de carnaval, também irei trabalhar. Na quarta-feira de cinzas então, nem preciso dizer. Tenho que confessar que é broxante ver as ruas vazias, restaurantes fechados e todos elevadores no térreo. A cara de tédio e os resmungos constantes deixavam claro que o sentimento era compartilhado em todo o escritório.

Logo no início da manhã já dava para perceber o quão produtivo seria o dia, mas não tenho do que reclamar. Afinal, não gosto de carnaval e troquei meu feriado por um dia de folga na semana passada.

Apesar de amar o que faço, nessas horas gostaria de trabalhar no chão de fábrica. Não digo isso porque muitas empresas deram folga no carnaval só para diminuir os efeitos da crise, mas porque mesmo desmotivado eu conseguiria executar funções repetitivas.

Bem, talvez eu tenha mesmo que agradecer por estar trabalhando hoje. Mas ainda não entendo como empresas baseadas em conhecimento, conseguem achar que um dia como este pode ser mais lucrativo do que ter um funcionário feliz, descansado e satisfeito o ano inteiro.

PS: O próximo post como esse será no dia 26 de dezembro, comentando sobre o período “entre o Natal e o fim do mundo”.

Se ainda não perceberam, o rei está nú

Fevereiro 23, 2009 (Segunda-feira)

Ontem estava conversando com uma amiga que foi no show do David Guetta aqui em Florianópolis, ela comentou que o estacionamento normal era R$ 20,00 e o VIP saia por R$ 50,00. “Ridículo” foi a palavra que ela usou e eu respondi que eles estavam certos, afinal, eu não deixaria minha moto naquele fim de mundo.

Esta é a “lei da oferta e da procura”, quando vejo absurdos como esse sei que eles estão somente se aproveitando das facilidades do capitalismo. Não tenho costume de reclamar do preço das coisas, afinal, eles  foram expertos e devem ser recompensados por isso.

No caso do estacionamento, outros parâmetros importantes que definiram seu valor é a utilidade e a super valorização, só que estes parâmetros variam de pessoa para pessoa. Um relógio Rolex, uma caneta Mont Blanc e um terno Armani tem um valor excessivo e é muito útil para um alto executivo demonstrar seu status, para mim uma calça jeans, camiseta e celular é suficiente.

Não vejo utilidade para um Rolex, todas funções de um relógio tenho no meu celular. Mesmo sendo um executivo rico, eu ainda preferiria um smartphone ou um netbook ao invés de um Rolex e uma Mont Blanc, mas para pessoas como eu existe outro seguimento de mercado. Independente do segmento, ainda é baseado em aparências.

Artigos de luxo e diferenças de preço “ridículas”, apesar de trazerem algum benefício, como por exemplo o serviço de valet, não justificam seu valor e servem exclusivamente para mostrar que deve ser atribuido o sufixo “rico”, como em empresário [rico] ou filha de pai [rico].

Não tenho nada contra o sistema capitalista. Só acho que é um sistema baseado em aparências, como um rei que continua nú.

Tirando o gatinho do telhado

Fevereiro 22, 2009 (Domingo)

Sempre tive uma reserva pessoal sobre acreditar no que as pessoas falam sobre mim, principalmente sobre coisas boas. Quer dizer, se você não acredita realmente que é “bonito, inteligente e sagaz” como sua mãe diz, então porque acreditar em qualquer outra pessoa?

É natural as pessoas ficarem tão agradecidas a ponto de te elevar ao extremo. Isso acontece com sua mãe, que exalta cada realização daquele que ela viu crescer. Acontece também quando você salva a cabeça do seu chefe, entregando um relatório minutos antes de uma importante reunião, do mesmo jeito que acontecia quando você colocava o nome do seu colega de escola no trabalho que ele nem mesmo lembrava o tema.

Eu comparo esta gratidão com o sentimento de uma velhinha quando o bombeiro tira seu gatinho do telhado. Para ela, o bombeiro é um herói. Para o bombeiro, ela é uma velha histérica que pensa que os serviços de emergências não tem mais nada pra fazer.

Talvez meu problema esteja em receber elogios, mas talvez não seja um problema, pois acreditar em elogios pode ser muito perigoso. Imagine se o bombeiro pulasse do quinto andar de um prédio em chamas com um bebê no colo, só porque  a velhinha lhe fez acreditar que era um “super-homem”.

Quando uma pessoa recebe um elogio, parte dela se pergunta o quão válido ele  é, enquanto outra parte abafa a primeira afirmando que é o mínimo que poderia ser dito. Com o tempo, isso acaba fazendo a pessoa se sentir como o homem que sabia javanês, recebendo comendas por algo que nem faz idéia e com medo freqüente que descubram o impostor que realmente é.

Por isso prefiro não dar importância para os elogios de mãe e trabalhar para que os elogios venham silenciosos de qualquer outra pessoa.