Microsoft dos anos 90

Agosto 31, 2009 (Segunda-feira)

Quando o assunto é “melhor empresa para se trabalhar” o nome da Google geralmente encabeça a lista. Horários flexíveis, alimentação gratuita variada, massagem para os funcionários, jogos durante o expediente e até aquela folguinha para dar um mergulho.

A mídia mostra a gigante das buscas como uma empresa liberal e inovadora na maneira como trata seus funcionários, fazendo com que profissionais da área alimentem o desejo de trabalhar na Google ou ainda, larguem qualquer outra empresa para isso. Alimentar a idéia e estar no topo de todas as listas faz parte dos objetivos da empresa, atraindo os melhores para seu grupo de trabalho.

O método de trabalho da Google não é exclusivo e nem mesmo inovador, a maioria das jovens empresas dotcom trazem consigo a idéia de deixar o profissional cada vez mais a vontade para desenvolver seu trabalho. Alías, entre as concorrentes da Google, temos a Microsoft que sempre levantou a bandeira de “faça como achar melhor, desde que cumpra suas metas”.

Antes mesmo da Google desabrochar, a Microsoft já era notícia aqui no Brasil e em todo mundo por sua maneira diferente de tratar seus empregados, mas com o aumento das responsabilidades e do quadro de funcionários a empresa teve que impor algumas restrições. Restrições que também estão sendo adotadas pela Google nos últimos anos, que hoje controla até o que seus funcionários comem, agora fica a dúvida: Será que com o tempo as empresas percebem que a produtividade não justifica/paga tais regalias?

 


Matéria sobre a Microsoft exibida pelo Fantástico nos anos 90.

 

Na quinta passada (28), a “Operação Trilha” prendeu 80 suspeitos de crimes digitais em 12 estados brasileiros. Uma mega operação que, graças a uma barragem e um avião caído, não conseguiu prender a ateção da mídia por nem 24hs.

Claro que o objetivo dessa respeitadíssima corporação não é fazer propaganda, exibindo seus números fictícios em operações com nomes como “Cash Net”, Replicante, Ctrl+Alt+Del, Cavalo de Tróia e “Cavalo de Tróia II – A revolta”, mas eu arriscaria dizer que eles levam um ano para investigar e mais ou menos uns 4 meses para escolher o nome.

 

Já comentei em um post anterior, mas devo lembrar que dos criminosos indiciados nesta operação, os únicos que podem ser chamados de hackers, são os 4 à 8 programadores que a investigação apurada do delegado Disney Rosseti ainda não conseguiu chegar a um número correto.  Segundo o delegado, a prisão destes programadores é um grande avanço já que sem eles o crime deixa de existir. Pateta e Pato Donald também acreditam nisso.

A cerca de 10 anos conheci muita gente boa que, na época, gostava de se divertir sacaneando amigos ou até pixando alguns sites internacionais que ninguém fazia idéia que existiam. Hoje são pessoas respeitadas no meio, gente talentosa que usa seu dom em diversas áreas, facilitando a vida das pessoas e trazendo diversão através de jogos, sistemas ERP, sites de internet e outros. Infelizmente, alguns desses talentos não conseguiram resistir, achando no crime uma boa saída para ganhar dinheiro e alimentar sua curiosidade insasciável.

Este pequeno grupo são um exemplo dos hackers presos nestas operações. Eles desenvolvem um programa muito simples de fazer chamado muitas vezes de Key Logger, um programinha que consegue imitar o ambiente bancário e pedir gentilmente que o cliente digite informações que um banco nunca solicitaria.

 

Fazer um Key Logger é extremamente simples para qualquer programador com um mínimo de conhecimento. Mesmo presos, o programa que estes “hackers” fizeram ainda continuarão funcionando perfeitamente por meses ou até anos, gerando tempo suficiente para que outro programador recém diplomado pelo SENAC possa fazer o seu.

Prender os laranjas, aqueles que emprestam sua conta para receber o dinheiro em troca de um agradinho, também não parece muito efetivo. Prender aquele usuário básico que faz o processo de pegar a senha e transferir o dinheiro, é como prender ladrão de galinhas. Prender o boleteiro, que se oferece para pagar uma conta pela metade do preço, é só menos um intermediário na rua. Então me perguntam: Quem deve ser preso para que isso tenha um fim?, a resposta é simples: Você.

* Você que é aquele tarado que clica em qualquer e-mail que diz trazer as fotos mais quentes da última gostosa do BBB
* Você que é aquele usuário imbecil que repassa e-mails daquela menininha que nasceu sem orelhas e precisa de uma cirurgia urgente
* Você que é aquele cliente que mesmo o banco orientando milhares de vezes ainda digita as mais de 50 posições do seu cartão de segurnaça de uma vez só
* Você que é aquele cidadão incorruptível que achou uma maneira única de pagar suas contas com até 80% de desconto de maneira inquestionável
* Você que é aquele banqueiro que fatura alto com as fraudes onlines sempre que consegue convencer o cliente que a culpa é dele e nunca sai perdendo porque está sempre bem protegido por seguros e um lucro bilionário trimestral
* Você que é aquele criativo agente da PF que inventa nomes ’maneiros’ para as operações e atiça ainda mais os criminosos
* Você que é aquele responsável por indicar delegados com nomes engraçados que fariam até o cidadão mais honesto querer virar um criminoso digital
* Você que é aquele delegado mais interessado em divulgar números fictícios e fotos de gente que nem foi presa, ao invés de juntar provas suficientes para manter o indiciado na cadeia

Resumindo, o problema está com você, que em um restaurante nunca daria seu Visa Electron e sua senha para um desconhecido te livrar mais rápido da fila de pagamento, mas abre as pernas para primeira historinha mal contada que chega por e-mail. Ou você que prefere fazer marketing ao invés de um trabalho bem feito.

Fábrica Di Chocolate vs Showcolate, na justiça.

Fevereiro 25, 2009 (Quarta-feira)

Nos últimos tempos a justiça brasileira tem dado exemplo quando se trata de internet. Frequentemente empresas [leia-se Google] viram notícia por ter de indenizar pessoas por danos morais em casos envolvendo a rede [leia-se YouTube, Blogspot, Orkut, Twitter e WordPress].

Claro que nem todas as decisões do nosso poder judiciário são certeiras, algumas mancadas como o caso “Cicarelli x YouTube” ou ainda a derrubada do Twitter errado não nos deixam esquecer o quão inexplorado é este tema.

Bem, não abri este post para chover no molhado, na verdade o objetivo dele é contar a história que envolveu a Fábrica Di Chocolate, empresa em que trabalhei, e sua concorrente direta, a Showcolate.

No fim de 2007 encontramos alguns domínios com nomes que lembravam “fábrica di chocolate” registrados com o CNPJ da “Showcolate Com. Chocolates e Correlatos Ltda.”.

Após eu incentivar o jurídico da empresa a entrar com um pedido de congelamento dos domínios, o próprio Ivan Macena foi até a delegacia  munido das páginas que imprimi do site Registro.br e registrou um boletim de ocorrência.

Semana passada, em uma visita a Fábrica, descobri que o BO foi incluído em outro processo que estava em andamento e depois de algumas audiências, nas quais a outra parte não compareceu, todos os domínios foram congelados.

Na época da abertura do processo, escrevi um texto com o título “Reconhecimento da concorrência” no blog da fábrica, lá também há links para os domínios congelados.

Edit 1:  Alterado o link da derrubada do Twitter pois tinha o mesmo link do caso “Cicarelli x YouTube”. Valeu George!

Chama o técnico!

Fevereiro 21, 2009 (Sábado)

Trabalhar na área de informática tem seus prós e contras, o maior contra com certeza é todos acharem que você tem as respostas para todos seus “problemas informáticos”. Invariavelmente eu as tenho, mas isso não quer dizer que estou disposto a responde-las. 

Depois da sensacional camiseta com a escrita “No, I will not fix your computer.”, acho que a melhor maneira de demonstrar o quanto isso é frustrante, é a imagem abaixo.

Small talk with a web designer

original (em inglês)  pode ser encontrada no The Man in Blue, encontrei essa versão em português no site “Interativando” 

O que acontece é que ninguém pede para um engenheiro civil sentar um tijolo ou um chef de cozinha francês cozinhar um ovo. Não que eles não o saibam fazer, mas houve em algum momento um motivo para que não escolhessem esse seguimento.

Tive meu primeiro contato com computador aos 11 anos, aos 13 aprendi a programar, com quase 14 ganhei meu primeiro computador e comecei a me interessar e criar para internet. Aos 17 anos iniciei como instrutor de informática e aos 18 fui contratado pela primeira vez para exercer a função de designer; desde então não parei de estudar programação, design e projetos para web.

Apesar da minha evolução passar por diversos softwares e meus apuros me garantirem uma boa noção de hardware, eu sinto informar a meus amigos que não tenho o menor prazer ou qualquer momento nostálgico quando me pedem coisas como “Instalar o Windows”, “Ver por que _____ não funciona” ou “Porque minha máquina tá lenta?”.

Acredito que isso é um mal da maioria das profissões, provavelmente neurocirurgiões mundialmente famosos são indagados por sua emprega sobre “a dorzinha no polegar direito que a vizinha está sentindo” e respeitados advogados criminalistas são indagados por seus pais sobre a cobrança indevida que a operadora de celular fez.

Algo que evito ao máximo, é responder que não sei fazer. Onde ficará meu orgulho quando a pessoa dizer a alguém que eu não soube resolver?  Prefiro fazer como um técnico amigo meu, que quando encontrava dificuldade em resolver um problema gritava “chama o técnico!!”.

Era uma vez um projeto…

Dezembro 9, 2008 (Terça-feira)

“Com todo respeito, eu sou a chefe da TI e tenho uma boa autoridade nisso. Se você pesquisar “google” no Google, você pode destruir a internet.” [link]

Retirei esta frase do sitcom inglês “The IT Crowd”, o seriado conta a história de uma equipe de TI que é gerenciada por uma pessoa sem capacitação alguma na área, porém com o tempo se adaptam a ela formando uma bela equipe. Uma história feliz que na vida real nem sempre se repete com os gerentes de projeto…

Para que serve um gerente de projetos?

Tanto no desenvolvimento de software quanto em qualquer outra área que se utilize de um gerente de projetos, sua função base é o de minimizar os riscos e falhas. Para garantir esta tarefa o gerente tem que estar atento a três variáveis: tempo, custo e escopo — também conhecido como o triângulo “bom :  rápido : barato”.

Em miúdos, as tarefas do gerente no ciclo normal de um projeto é conseguir recursos > planejar a execução > monitorar a execução > encerrar o projeto. Claro que nesse percurso ele pode encontrar várias outras tarefas interessantes, como por exemplo motivar a equipe, pois além de controlar prazos, um gerente de projeto gerencia pessoas.

Um bom gerente de projetos sabe que seu papel é dentro da equipeQuando ele se dá conta disso, percebe que só conseguirá seu objetivo se apoiar a equipe a cumprir suas metas. Infelizmente como o cargo é ainda muito abstrato, têm se visto no mercado cada vez mais pessoas despreparadas que se auto-intitulam “Gerente de Projetos”.

Não é difícil identificar esse tipo dentro da empresa, basta procurar pela pessoa atrás de um computador na mesa ou sala mais distante da equipe (as vezes nem fisicamente). Também pode-se identificar em uma conversa frente-a-frente ou no diálogo com o time, onde figuram o abuso de jargões que nada dizem e frases como “Vamos dar um gás!”, “Fica pronto hoje?” e “Está faltando pró-atividade em vocês!”.

A falta de experiência e, muitas vezes, a prepotência que o cargo oferece, faz com que o gerente desse tipo contamine a equipe, sugando sua auto-estima e afetando negativamente sua moral. Normalmente o tipo é motivo de piada para o time e, para descontar sua frustração, se utiliza da manipulação gerencial e ameaças (como um bom capataz).

Existem bons gerentes de projetos, estes muitas vezes graduados na área e com sólidos conhecimentos no tipo de projeto que trabalha. Este tipo de gerente consegue o respeito do time, tendo uma equipe produtiva e cumprindo seu objetivo principal: minimizar riscos e fracassos.

Para que serve O SEU gerente de projetos?

Sei que não tenho um grande público, mas fica aí a pergunta para quem quiser compartilhar um pouco de suas mágoas sua experiência com gerentes de projetos.

Abaixo algumas figurinhas que recebi pela primeira vez da minha ex-GP, Déia “Chefa” Zoboli, que sabia como se integrar a equipe e com certeza está muito além do perfil citado acima.


Mais figuras no site do Project Cartoon: http://www.projectcartoon.com/