Microsoft dos anos 90

Agosto 31, 2009 (Segunda-feira)

Quando o assunto é “melhor empresa para se trabalhar” o nome da Google geralmente encabeça a lista. Horários flexíveis, alimentação gratuita variada, massagem para os funcionários, jogos durante o expediente e até aquela folguinha para dar um mergulho.

A mídia mostra a gigante das buscas como uma empresa liberal e inovadora na maneira como trata seus funcionários, fazendo com que profissionais da área alimentem o desejo de trabalhar na Google ou ainda, larguem qualquer outra empresa para isso. Alimentar a idéia e estar no topo de todas as listas faz parte dos objetivos da empresa, atraindo os melhores para seu grupo de trabalho.

O método de trabalho da Google não é exclusivo e nem mesmo inovador, a maioria das jovens empresas dotcom trazem consigo a idéia de deixar o profissional cada vez mais a vontade para desenvolver seu trabalho. Alías, entre as concorrentes da Google, temos a Microsoft que sempre levantou a bandeira de “faça como achar melhor, desde que cumpra suas metas”.

Antes mesmo da Google desabrochar, a Microsoft já era notícia aqui no Brasil e em todo mundo por sua maneira diferente de tratar seus empregados, mas com o aumento das responsabilidades e do quadro de funcionários a empresa teve que impor algumas restrições. Restrições que também estão sendo adotadas pela Google nos últimos anos, que hoje controla até o que seus funcionários comem, agora fica a dúvida: Será que com o tempo as empresas percebem que a produtividade não justifica/paga tais regalias?

 


Matéria sobre a Microsoft exibida pelo Fantástico nos anos 90.

 

SEO – Search Engine Obfuscation

Novembro 25, 2008 (Terça-feira)

No início eram trevas.. hospedava-se uma página e o primeiro passo era sair garimpando entre os sites de busca para cadastrar o dito cujo no maior número de catálogos possível. Lembro do meu primeiro site recusado e depois publicado no Yahoo!, eu fazia diversas buscas com palavras diferentes para ter certeza que ele estava lá. 

Não lembro bem qual foi o motivo pelo qual fui recusado da primeira vez, mas provavelmente por ter usado alguma palavra que não condizia com meu site — talvez a palavra sexo oral. Acontece que para cadastrar um site era necessário escrever uma descrição e configurar uma série de palavras-chave, a partir disso, a pessoa — física real de carne e osso — que fosse moderar, decidia se aceitaria ou não.

Os tempos mudam, hoje ao invés de ir atrás de sites de busca, são eles que vem atrás de nós. Para ter seu site fotografado pelo Google, basta basicamente que ele exista e para aparecer na página de resultados, basta ter as palavras certas no lugar certo. 

Qualquer menino ou menina pode otimizar um site para que ele tenha uma boa posição no Google, essa frase por exemplo, em conjunto com as demais palavras em itálico pode atrair uma dezena de pedófilos amanhã para esse blog. Teoricamente isso funcionaria, porém existe o “Search Engine Optimization”.

Para oferecer os melhores resultados para a palavra que você pesquisou, o Google definiu uma série de “regras”. Seguir essas regras para obter a melhor posição no buscador, é o que os profissionais em otimização para buscadores fazem, as vezes responsavelmente e as vezes não muito.

Olhe para este blog….. No topo tem o título em um tamanho avantajado, quase tão avantajado quanto o título deste post. Isso porque eles estão em tags do tipo “cabeçalho” que são tags para títulos, eles são títulos então estão no lugar certo, isso é semântica.

Clique no título deste post….. vamos lá clique!, negritei o início dessa linha para que seja mais fácil encontra-la. Se você está dentro do post, verá que o link desta página tem as mesmas palavras do título do post. Olhe para o título da janela, não é interessante que seja o mesmo também?

Se você rolar um pouco a página para o fim do post também verá as tags que escolhi para este texto, as tags facilitam a associação com o conteúdo além de levar o visitante para mais conteúdos referentes a ela. Ao lado também é mostrada uma nuvem de tags.  

Olhando pela perspectiva de um designer, está tudo muito usual, olhando pela do Google, está tudo muito delicioso… nham nham… título e url da página, cabeçalhos e textos com ênfase são alguns dos atributos que o algoritmo do Google usa para classificar a relevância do site para a palavra que você buscou. 

Se existem estas “regras”, porque não tornar todo site um apetitoso bolo de chocolate? É isso que alguns profissionais de SEO fazem, gerando resultados ruins para suas buscas.

O objetivo real deste texto nem eu sei, mas ficarei feliz se eu receber visitas de pedófilos, doceiros e profissionais de web…

Fica o aviso: Graças as técnicas de SEO, *bem ou mal usadas*, podemos estar limitando nossa experiência na web ficando na primeira página de resultado.

No início, eram trevas e fez-se o Google.. argh.. bullshit, é só mais um buscadorzinho!

Repita comigo: “don’t be eeeevill”

Novembro 23, 2008 (Domingo)

“Não seja mau” é como um código de conduta na Google, a bandeira que a empresa resolveu carregar para mostrar que pode ser grande sem prejudicar os outros. Bem, funcionou durante um tempo, mas as crianças crescem…

No início de fevereiro acompanhei entusiasmado a tentativa de compra da Yahoo! pela Microsoft, isso seria um grande salto para Microsoft na web e a salvação para a Yahoo!, mas a Google conseguiu jogar um balde de água fria na relação com seu acordo de publicidade milhonário. Naquele momento pensei jogada esperta, digna de Microsoft.. mas, repita comigo don’t be evil..

Em setembro vi a notícia “Mozilla renova acordo com a Google por mais 3 anos”, nem perdi tempo lendo, era de se esperar já que o Firefox deve sua sobrevivência a Google. O que me surpreendeu foi a notícia do dia seguinte “Google lança navegador para concorrer com Explorer”, me lembrei da notícia anterir e esbocei um imediato son of a bitch!… golpe baixo, mas respirei fundo e repeti don’t be evil..

A semanas atrás abri minha página de notícias e lá estava “Google encerra acordo de publicidade com o Yahoo!”, me lembrei de toda novela que foi entre a Microsoft e a Yahoo! e esbocei um imediato son of a bitch, don’t be evil???..

A palavra “beta” é comum a muito tempo entre desenvolvedores de software, mas foi a Google que conseguiu colocar esta palavra tão fortemente no nosso cotidiano a ponto de haver até empresa de telefonia celular versão beta.

Hoje em dia lançar um software/serviço na versão beta é uma forma moderna de tirar o corpo fora de qualquer problema, é o jeito mais gentil de dizer “não tá pronto, então não reclama” e foi essa a maneira escolhida pela Google ao anunciar o fim do seu metaverso Lively

Lançado em julho deste ano, o Google Lively é um ambiente virtual onde o usuário cria avatares e ambientes para interagir com outros usuários, basicamente o mesmo objetivo do famoso Second Life, exceto pelo fato de ser acessado diretamente navegador e exigir uma configuração bem mais modesta.

Uma das características da minha profissão é estar “antenado”, isso inclui conhecer e ter uma opinião sobre quase tudo o que existe na internet. Claro que tenho a escolha de ler somente as releases, me cadastrar e testar ou mergulhar fundo no serviço… com o Second Life eu preferi ficar somente as releases e basiei nelas minha opinião: não vai muito longe, é pesado, não atinge a massa e tem um tema muito fraco.

Daí para frente comecei a ignorar as notícias, até que um dia, zapeando a TV, assisti a uma reportagem sobre empresas gastando milhares de dólares no jogo.. na mesma hora pensei “merda, mordi a língua!”.. corri para o computador e baixei o programa para testa-lo. Minha opinião depois de 3 horas no jogo foi: é pesado, não atinge a massa, tem um tema muito fraco e vai ter uma queda brusca quando perceberem isso. 

Reconheço que o Second Life teve um papel importante na evolução da internet, principalmente no “gerenciamento de identidades” e as empresas que souberam a hora de pular fora, se beneficiaram muito.

Fiquei sabendo do Google Lively alguns dias após seu lançamento, na notícia não ficou muito claro suas características e então a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi testa-lo. Diferente do Second Life, minha primeira experiência foi excelente, rápido e fácil de usar a aplicação não exigia muito da máquina e apresentava uma boa gama de customizações.

Enquanto motava meu “room”, comecei a imaginar no potencial da aplicação, imediatamente vi avatares tomando conta do Orkut, blogs interativos, paginação de resultados 3D, integrações com Youtube e Picasaweb através de gadgets feitos no SketchUp, publicidade baseada no histórico do ambiente e um vasto marketplace.

Naquele dia fiquei até quase 3 horas da manhã acordado interagindo com os usuários, isso me custou alguns minutos de atraso no dia seguinte, mas a primeira coisa que falei quando cheguei no escritório foi: “Preparem-se, aí vem mais uma bomba da Google”.

Na sexta passada vi em meus feeds o título ”Google tira o mundo virtual Lively do ar“, depois de ler a notícia fiquei realmente surpreso e motivado a escrever este post. Segundo a empresa, eles querem voltar o foco a publicidade e busca, afirmaram ainda que aceitam “que quando se assume alguns riscos, nem toda aposta dá certo”.

Depois de um singelo lançamento, Lively teve menos de 6 meses de vida e nenhum investimento em integração. Um dos pontos fortes anunciados era a integração com blogs, mas o Blogspot não recebeu nenhum widget facilitando isso. O serviço foi anunciado em meio ao lançamento do OpenSocial, porém não houve nenhum aplicativo para o Orkut.

Resumo polêmico: É certo afirmar que se o Google tivesse medo de fracassar não seria a metade da empresa que é hoje, porém também pode-se afirmar que se o Google fosse a metade da empresa que é hoje não cometeria tantos erros.

PS¹: Levando em conta a última cotação da NASDAQ, a Google é quase 1/3 da empresa que era ano passado. Se continuar nesse ritmo, ano que vem a MS compra com o dinheiro que economizou não comprando a Yahoo!.

PS²: Ficam meus votos para que a Srta. Wang (que desenvolveu o Lively em seu 20% Project) volte para a Microsoft Games.