Quando a cegueira da justiça se transforma em ignorância

1 mar

Nenhum símbolo poderia melhor representar a justiça brasileira hoje se não a escultura localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. “A Justiça” é o nome da mulher esculpida pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti em 1961 e consiste em uma figura feminina com olhos vendados e uma espada, representando o poder judiciário através da figura da deusa mitológica da justiça. Ironicamente, Ceschiatti fez uma reprodução livre da deusa, abrindo mão da balança que ela costumeiramente carrega em uma das mãos nas representações por todo o planeta. Para o Facebook, o artista representou a essência da justiça brazuca.

Escultura "A Justiça" em frente ao Supremo Tribunal Federal, Brasília, representando a "justiça cega"

Hoje, o vice-presidente do Facebook na América Latina, o argentino Diego Dzodan, foi detido pela Polícia Federal que cumpriu um mandato de prisão preventiva expedido pelo juiz da vara criminal de Lagarto, no Sergipe, Marcel Maia Montalvão, porque, supostamente, o Facebook se recusa de repassar informações à Justiça, desrespeitando uma ordem judicial.

Um episódio parecido já rendeu até ordem para bloquear o aplicativo WhatsApp, que pertence ao Facebook, no Brasil por 48 horas. Acontece que a Polícia Federal quer a quebra do sigilo de mensagens trocadas pelo WhatsApp como parte da obtenção de provas em processo de tráfico de drogas inteterestadual. O problema é que o Facebook diz que não armazena as mensagens ou, se armazena, faz isso com forte criptografia, ou seja, eles não possuem a informação para fornecer.

Sem vítimas na cadeia, acontece nos Estados Unidos uma briga entre Apple e FBI, nas palavras do CEO da Apple, Tim Cook, “O governo americano nos pediu algo que simplesmente não temos, e algo que consideramos muito perigoso criar. Eles nos pediram para construir um backdoor para o iPhone”, ou seja, o dispositivo que foi feito justamente para ser inviolável e poder ser vendido com segurança para as mais altas esferas do governo americano, agora precisa de uma “porta dos fundos” por onde o FBI pudesse entrar quando fosse necessário. Aliás, recentemente foi desvendado um acordo que causou furor justamente por causa de um backdoor, o acordo foi entre algumas empresas americanas de tecnologia e a NSA, a principal agência de segurança americana.

Está evidente que a prisão do alto executivo do Facebook é uma medida extrema e descabida que banaliza o direto à liberdade, um reação fruto do despreparo da justiça perante assuntos que desconhece. Talvez “A Justiça” foi a forma de Ceschiatti representar isso. A venda está lá para representar a imparcialidade na aplicação da justiça e a espada para garantir força para defender os valores do que é justo, mas falta a balança para equalizar a culpa e o castigo.

Se o Facebook não tem a informação, significa que ele não teve intenção de desrespeitar a ordem judicial e não tem culpa por ter criado um software que torna impossível fornecer tal informação, do contrário, uma empresa coletora de lixo poderia ser castigada por incinerar documentos incriminatórios que foram descartados, por exemplo, pela Petrobras.

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Mais um texto sobre racismo

10 set

O erro começa pelo título, já que a partir do momento que você usa a palavra “racismo” você está concordando com a segregação pela cor da pele. Estamos falando de preconceito, um sentimento/reação oriundo da falta de convívio com uma tipificação de indivíduo tipificado por suas atitudes, características ou origem. A diferença neste caso é a existência de uma convenção mundial que reza que gays, negros e judeus não tem/tiveram as mesmas oportunidades e por isso merecem que o respeito, condição que deveria ser implícito para qualquer ser humano, precise ser mediado pela lei e relembrado incessantemente pela mídia sensacionalista, como no caso do goleiro Aranha.

Não existe lei, situação ou ação de conscientização que possa acabar com o preconceito. Já disse nesse blog que esta é uma questão de sobrevivência, toda pessoa nasce burra e medrosa, esse medo e burrice se transformam em ignorância e preconceito. Enquanto não houver convívio e uma ampliação de horizontes, o preconceito continua existindo nessa pessoa, e, pessoalmente, também acho preconceito chamar uma pessoa que passou a vida inteira enfiada numa comunidade predominantemente branca de “racista”.

É polêmico defender o indefensável, mas esse “racista” não tem culpa de ter nascido branco, assim como não tem culpa da ausência de oportunidades de sair do seu mundinho e nele só ter convivido com pessoas ignorantes que não o ensinaram que cor da pele não define a essência da pessoa. Assim como os dreads e as roupas desfiadas não fazem um delinquente; a saia comprida e a bíblia embaixo do braço não fazem um intolerante; e ocupar um cargo político não faz um ladrão.

Hoje em dia é fácil afirmar que toda pessoa, a partir de uma certa idade, já teve acesso a informação suficiente para estar condicionada a leis e regras sociais que orientam que xingar um negro de “macaco” é um crime muito mais grave do que chamar/acusar o mesmo de filho da ****. Mas colocando todos os pesos na balança, se um indivíduo teve suas primeiras referências em uma família/sociedade preconceituosa, onde toda sua vida estudantil conviveu com pouquíssimos negros e os enlatados americanos que assistiu durante toda a vida o ensinaram a inferiorizar os negros, ele realmente deve ser crucificado por sua atitude? Será que o indivíduo negro, que, avisado pelos seus pais desde criança sobre os “brancos racistas”, que em toda sua vida conviveu com uma imensa proporção de brancos, muitos bons, alguns cruéis e alguns amarelos, não estaria “blindado” contra esse tipo de atitude?

Não questiono o fato de ser errado pré-julgar alguém. O fato é que o objetivo de uma briga é atacar a pessoa de uma maneira da qual ela não esteja preparada para se defender. O preconceito demonstrado em ações, como, por exemplo, um policial enquadrando alguém pela maneira como se veste, corte de cabelo ou cor da pele, seria diferente de ofensas preconceituosas? O objetivo das palavras é ofender e a ofensa só se concretiza quando o alvo de fato se sente ofendido. Uma pessoa ofendida pode se retrair, pode revidar ou simplesmente ignorar.

Nenhuma pessoa está livre de ser ofendida, a Gisele Bündchen é enferrujada, Tom Cruise é pintor de rodapé e Vin Diesel é aeroporto de mosquito. É a própria pessoa que infere o peso à palavra e por quanto tempo ela ainda terá esse peso. Muitas vezes, pessoas que presenciam uma ofensa podem sentir-se mais ofendidas do que o alvo da ofensa, ou ainda achar que o alvo não se sentiu suficientemente ofendido e instiga-lo a sentir-se. Ignorar e impor a lei aos envolvidos é o medida mais correta; no caso da retração, buscar ajuda psicológica é o ideal; mas revidar, isso sim é gratificante, não há nada melhor que estar preparado para o que vai ouvir e pagar com uma moeda mais alta. Isso é vingança.

De modo geral, medidas como as cotas, que tentam usar a incompetência do estado em dar educação de qualidade impondo o convívio social entre diferentes “tipos” de indivíduos, tentam amenizar o preconceito contra pobres, negros e índios, ao mesmo tempo que reaciona o preconceito dos ignorantes por medo de uma concorrência desleal, medo que leva novamente ao princípio burro e medroso do ser humano. Ao mesmo tempo a sociedade criminaliza o aborto e o uso de entorpecentes, exaltando outros preconceitos, assim, despretensiosamente, os preconceituosos podem se juntar em uma nova causa como uma boa sociedade tribal e ignorante.

intolerancia

Smart Home: The Next Big Gold Rush

7 jun

All the big players have been gearing up for this for a long time. The first step was put the right device inside the house and put the remote control on people hands. This week, the “remote control leader”, Apple, announced that they will launch a new software platform for Smart Home.

The Home Kit will allow a developer to use a simple set of controls to toggle the states of devices or send commands to them. As expected from Apple, it will only work with devices the are part of the “Made For iPhone” program. This announcement, similar to announcements as iPod, iPhone, iPad and the MacAir, has the potential to be a trigger to start a new revolution. But this time, Apple will be not alone.

Microsoft bets on XBox for home entertainment, and they are thinking about ways to control the entire house someday, and this day is coming with the new Windows Phone 8.1. Embrace yourselves, because when the new smartphone apps integrate with the XBox and your Windows PC, the Cortana (Microsoft’s personal assistant) can be the hostess of your house.

Samsung wants a slice of this pie. The company already leads the U.S. Smart TV market and is growing fast in the smartphone market. It wouldn’t be surprising if the first words some people says when they get home were, “Hello, Galaxy”. But, if the Samsung devices are running on Android, Google, and the recent acquired Nest, will want join this club, and maybe reassess the Android @Home fiasco.

Let’s see what’s coming. And after this, the next: Personal Health.

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They got tired of playing on their smartphones and are going to play a bigger game

The “dot” and the word that follows it

20 maio

No more hesitation, the moment of truth has come and now it’s all about your imagination and GoDaddy’s domain search saying the magical words: Good news, this domain is available. If you already did this, you will understand what I mean, or if not, maybe you will never have this misfortune of searching through dozen of names till you find an available one.

I'm feeling lucky about taking over the internet

The perfect-good-name.com represents a great opportunity for brands, recently Facebook bought fb.com for $ 8.5 million. Hotels.com domain, today the most popular hotel booking website, was bought for $ 11 million in 2001, two years later the company was acquired in a $ 1.1 billion deal. Evidently, the numbers are really impressive but the domains are losing relevance in a new internet.

In the next years, the Internet will be invaded by new generic domain extensions like .shop, .technology, .microsoft, .london and .guru, these domains will be on the same level as others Top Level Domains such .com and .org and they are already available for purchase. Will this change the relevance of the domains? I say that in no more than 5 years and these domains will not even exists.

Search engines will contribute first to this near future. While hundreds of new domain extensions will be great for new brands, they will be perfect for fraud too. All sizes of brands will loose some important domain names due to fraudulent activities. Like a super hero saving the brands, the search engines will intervene in search results ignoring the keywords that appear in domain name. Without relevance, why does the domain name needs to be so perfect?

Today, new users don’t care about domain name. Yes, observe a child or any new internet user and you will see that they don’t actually use the address bar to type the complete domain name, they know Google and Google says what is good for them. They might write the complete domain name in the search box but not in the address bar, but if they do it right it’s not a problem because the DNS can do it work. So, if the user just searches, why do the companies need a domain name?

Feeling lucky, take over the world. Come on, if you own the biggest search engine in the world and you make the most used internet browser, and this browser is silently updating itself every week, why do your users really need memorize a domain name? That’s easy. No search results, no money. But if you were the faraway second biggest search engine of the world and you make the second most used internet browser, why does your user really need to see the search results? Think about it. This is all still in its early stages.

How to not start your own website

19 maio

First of all think, why do you really need a website? In fact, there were dozens of reasons for someone do it some years ago, but today, there are few good grounds for spend money, time, and patience to create your very own home page.

My first piece of advice is simple: Your 13-year old nephew may know more about the future of the internet than most 30-year old experts. But no, he probably can’t create a glorious home page for you or your company. The Internet is just a few decades old, but it has been reinvented every couple years because people change their needs: children are getting on internet, mothers signing up on social networks, teenagers are running alway to mobile chat, and these tools will never be enought because people always want more, and the people make all systems blow. Ok, take a breath to go on.

For me, often a website is a race toward mediocrity, proof of this is that people pay media houses to buy some WordPress theme sold to thousands, make some changes on colors and logo, add a lot of unnecessary content and an image of someone smiling from Shutterstock, only to say “We are on Sesame Street and we open at 12.30!”. But they forget that Foursquare and Google Maps can do that for free with better results. Do you have photos? Instagram or Pinterest will help you. How about talk with your client? Facebook pages are public, just redirects your domain to the page and be happy. If you want to start selling online, maybe Shopify, Weebly or even old friend Ebay can help your company rise.

There’s an enormous gap between Amazon and the local business. It’s very important to offer your product to the client but a static home page will not increase your profits. Think about putting your energy on what your client needs using all that the internet can offer, without having to re-inventing the wheel.

What are your intentions for my new internet?

What are your intentions for the new internet?

Direito de ser esquecido

14 maio

A corte da União Européia acha que o grande colecionador de lixo não está sendo criterioso suficiente em seus resultados e disse que as pessoas tem direito de serem “esquecidas” pela internet. Sou favorável e, com uma boa interpretação do Marco Civil da Internet, acredito que o Brasil já está no caminho para decisões parecidas.

O objetivo inicial do Google era de indexar toda internet e, como uma bibliotecária maluca, vasculhar seus registros em busca do conteúdo que pessoas estivessem interessadas. Acontece que eles se perderam e começaram a acumular lixo, conteúdo irrelevante, excessivo e tão velho que, se fosse físico, estaria em em decomposição. E este foi o fator motivador da decisão do tribunal europeu.

No Brasil não estamos distantes disso, se você procurar pelo seu nome completo encontrará links de sites como JusBrasil e Radar Oficial expondo sua vida nas páginas de resultados dos buscadores. Isso acontece porque esses sites permitem que os robôs dos mecanismos de busca vasculhem sua “versão amigável” do Diário Oficial, uma informação que, na minha opinião, deveria ser restrito aos mecanismos dos sites dos Diários Oficiais e não estar misturado com resultados dos seus posts no Twitter, seu perfil do Facebook e sua opinião em um vídeo do YouTube.

Não se trata de direito de expressão, mas sim uma replicação que expõe a privacidade de qualquer um. Ser relevante, pertinente e contemporâneo não é uma tarefa difícil para quem consegue seccionar notícias, livros, produtos de lojas, locais, blogs, redes sociais, etc., mas se for tão difícil de imaginar como melhorar os resultados, vou dar uma dica: O PageRank foi concebido a partir de links de referência, então pode-se considerar que se a página está muito tempo sem alteração, tem poucos links para ela e nenhum site a cita há muito tempo, é lixo. A pessoa que busca por um termo tão específico ou sabe muito bem o que tem nessa página, ou não deve estar bem intencionada.

Aplicando a regra: Não existem muitos links para as páginas específicas do Diário Oficial e o conteúdo é estático, aplicando uma janela de, por exemplo, dois anos, nada muito antigo virá a tona. Sites de empresas sem atualização em dois anos devem conter informações desatualizadas e se, na era das Redes Sociais, não receberam nenhum link de referência novo é porque não são populares na internet. Notícias, fóruns, Q&A e outros sites com conteúdo automatizado revivem conteúdos sempre que voltam a ser relevantes.

Talvez alguns digam que isso restringirá o acesso aos resultados, mas só dirá isso quem está confortável com sua bolha e pensa que os resultados já não são filtrados mais do que deveriam. Conteúdos podem ser esquecidos e se empresas como Google tivessem isso em mente, problemas como o do senhor Mario Costeja González poderiam ser evitados.

Não sabe quem é o Mario? Pesquise no Google. Mas seja rápido, ele logo não estará mais lá.

 

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