Tirando o gatinho do telhado

22 fev

Sempre tive uma reserva pessoal sobre acreditar no que as pessoas falam sobre mim, principalmente sobre coisas boas. Quer dizer, se você não acredita realmente que é “bonito, inteligente e sagaz” como sua mãe diz, então porque acreditar em qualquer outra pessoa?

É natural as pessoas ficarem tão agradecidas a ponto de te elevar ao extremo. Isso acontece com sua mãe, que exalta cada realização daquele que ela viu crescer. Acontece também quando você salva a cabeça do seu chefe, entregando um relatório minutos antes de uma importante reunião, do mesmo jeito que acontecia quando você colocava o nome do seu colega de escola no trabalho que ele nem mesmo lembrava o tema.

Eu comparo esta gratidão com o sentimento de uma velhinha quando o bombeiro tira seu gatinho do telhado. Para ela, o bombeiro é um herói. Para o bombeiro, ela é uma velha histérica que pensa que os serviços de emergências não tem mais nada pra fazer.

Talvez meu problema esteja em receber elogios, mas talvez não seja um problema, pois acreditar em elogios pode ser muito perigoso. Imagine se o bombeiro pulasse do quinto andar de um prédio em chamas com um bebê no colo, só porque  a velhinha lhe fez acreditar que era um “super-homem”.

Quando uma pessoa recebe um elogio, parte dela se pergunta o quão válido ele  é, enquanto outra parte abafa a primeira afirmando que é o mínimo que poderia ser dito. Com o tempo, isso acaba fazendo a pessoa se sentir como o homem que sabia javanês, recebendo comendas por algo que nem faz idéia e com medo freqüente que descubram o impostor que realmente é.

Por isso prefiro não dar importância para os elogios de mãe e trabalhar para que os elogios venham silenciosos de qualquer outra pessoa.

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Uma resposta to “Tirando o gatinho do telhado”

  1. Sandro fevereiro 23, 2009 (segunda-feira) às 0:38 #

    Elogio geralmente é um elemento que no mínimo me serve de incentivo pra ir mais longe. Inclusive elogio de mãe, que – no meu caso – na época da escola, me serviu pra sempre ir mais longe, ser um aluno exemplar e ter um ótimo rendimento, sempre afirmando e me fazendo crer que era melhor que os outros (hoje eu sei que isso não é completamente verdade, mas sou muito grato a ela por ter usado este artifício para que eu desse o melhor de mim!). Hoje em dia, já com um discernimento bem mais maduro, consigo distinguir muito melhor um elogio de verdade de um “elogio em momento de exaltação”, conforme mencionado pelo Christoffer. Ainda assim, os elogios sinceros são um dos grandes combustíveis que me levam mais longe, e não me deixam parar de evoluir. Considero muito importante elogiar, quando é merecido, e ser elogiado, na mesma medida.

    Curtir

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