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Mais um texto sobre racismo

10 set

O erro começa pelo título, já que a partir do momento que você usa a palavra “racismo” você está concordando com a segregação pela cor da pele. Estamos falando de preconceito, um sentimento/reação oriundo da falta de convívio com uma tipificação de indivíduo tipificado por suas atitudes, características ou origem. A diferença neste caso é a existência de uma convenção mundial que reza que gays, negros e judeus não tem/tiveram as mesmas oportunidades e por isso merecem que o respeito, condição que deveria ser implícito para qualquer ser humano, precise ser mediado pela lei e relembrado incessantemente pela mídia sensacionalista, como no caso do goleiro Aranha.

Não existe lei, situação ou ação de conscientização que possa acabar com o preconceito. Já disse nesse blog que esta é uma questão de sobrevivência, toda pessoa nasce burra e medrosa, esse medo e burrice se transformam em ignorância e preconceito. Enquanto não houver convívio e uma ampliação de horizontes, o preconceito continua existindo nessa pessoa, e, pessoalmente, também acho preconceito chamar uma pessoa que passou a vida inteira enfiada numa comunidade predominantemente branca de “racista”.

É polêmico defender o indefensável, mas esse “racista” não tem culpa de ter nascido branco, assim como não tem culpa da ausência de oportunidades de sair do seu mundinho e nele só ter convivido com pessoas ignorantes que não o ensinaram que cor da pele não define a essência da pessoa. Assim como os dreads e as roupas desfiadas não fazem um delinquente; a saia comprida e a bíblia embaixo do braço não fazem um intolerante; e ocupar um cargo político não faz um ladrão.

Hoje em dia é fácil afirmar que toda pessoa, a partir de uma certa idade, já teve acesso a informação suficiente para estar condicionada a leis e regras sociais que orientam que xingar um negro de “macaco” é um crime muito mais grave do que chamar/acusar o mesmo de filho da ****. Mas colocando todos os pesos na balança, se um indivíduo teve suas primeiras referências em uma família/sociedade preconceituosa, onde toda sua vida estudantil conviveu com pouquíssimos negros e os enlatados americanos que assistiu durante toda a vida o ensinaram a inferiorizar os negros, ele realmente deve ser crucificado por sua atitude? Será que o indivíduo negro, que, avisado pelos seus pais desde criança sobre os “brancos racistas”, que em toda sua vida conviveu com uma imensa proporção de brancos, muitos bons, alguns cruéis e alguns amarelos, não estaria “blindado” contra esse tipo de atitude?

Não questiono o fato de ser errado pré-julgar alguém. O fato é que o objetivo de uma briga é atacar a pessoa de uma maneira da qual ela não esteja preparada para se defender. O preconceito demonstrado em ações, como, por exemplo, um policial enquadrando alguém pela maneira como se veste, corte de cabelo ou cor da pele, seria diferente de ofensas preconceituosas? O objetivo das palavras é ofender e a ofensa só se concretiza quando o alvo de fato se sente ofendido. Uma pessoa ofendida pode se retrair, pode revidar ou simplesmente ignorar.

Nenhuma pessoa está livre de ser ofendida, a Gisele Bündchen é enferrujada, Tom Cruise é pintor de rodapé e Vin Diesel é aeroporto de mosquito. É a própria pessoa que infere o peso à palavra e por quanto tempo ela ainda terá esse peso. Muitas vezes, pessoas que presenciam uma ofensa podem sentir-se mais ofendidas do que o alvo da ofensa, ou ainda achar que o alvo não se sentiu suficientemente ofendido e instiga-lo a sentir-se. Ignorar e impor a lei aos envolvidos é o medida mais correta; no caso da retração, buscar ajuda psicológica é o ideal; mas revidar, isso sim é gratificante, não há nada melhor que estar preparado para o que vai ouvir e pagar com uma moeda mais alta. Isso é vingança.

De modo geral, medidas como as cotas, que tentam usar a incompetência do estado em dar educação de qualidade impondo o convívio social entre diferentes “tipos” de indivíduos, tentam amenizar o preconceito contra pobres, negros e índios, ao mesmo tempo que reaciona o preconceito dos ignorantes por medo de uma concorrência desleal, medo que leva novamente ao princípio burro e medroso do ser humano. Ao mesmo tempo a sociedade criminaliza o aborto e o uso de entorpecentes, exaltando outros preconceitos, assim, despretensiosamente, os preconceituosos podem se juntar em uma nova causa como uma boa sociedade tribal e ignorante.

intolerancia

Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

Cryptomoney e uma pitada de escambo virtual

16 abr

Se tenho uma vaca leiteira e você galinhas botadeiras, talvez seja interessante trocarmos um litro de leite por meia dúzia de ovos, ao menos que você ache que seus seis ovos valem mais do que meu litro de leite, então negociaremos até que nossas percepções de valor sejam compatíveis. Isso é escambo, permuta ou transação de troca. Basicamente é você trocar algo seu que tem valor para alguém, por algo desse alguém que você julga valoroso.

Num contexto histórico, com o passar dos anos os motivos de escambo foram tangibilizados em um objeto genérico comum bem conhecido hoje em dia, o Dinheiro. Com o dinheiro você leva a ideia de valor e não mais seus ovos para trocar por leite, afinal, você precisa de farinha e o dono da farinha precisa de carne, e o dono da carne pode precisar de leite ou açúcar… Bem, essa negociação é bem comum para todos, mas vamos ao que interessa: Qual o valor real do dinheiro?

Sabemos que todo documento possui um lastro econômico, seja seu saldo bancário ou sua reputação, assim como o nosso dinheiro, que possui seu lastro na reputação e dívida do grande e onipotente Estado. Levando isso em consideração, sabemos que por trás de cada nota emitida teremos vacas leiteiras, galinhas botadeiras ou alguém poderosamente alavancado dizendo que irá pagar. Esse é o valor atual do dinheiro, mas e se cada um pudesse produzir dinheiro com base em sua própria reputação?

Suponhamos que você possua uma galinha dos ovos de ouro, sabemos que ouro é um objeto genérico de valor comum cobiçado por todos, portanto podemos troca-lo por qualquer tipo de produto, serviço ou prazer. É isso que acontece com “dinheiros virtuais” como WoW, SecondLife ou Bitcoin.

Há anos o World Of Warcraft se tornou uma fonte de renda para pessoas que descobriram o pulo do gato: Vender o que se ganha com seu tempo de jogo. Foi dessa maneira que surgiram empresas especializadas e até presídios privados explorando a população carcerária à jogar para conseguir mais itens que, posteriormente, seriam comercializado em troca de “dinheiro de verdade”. O SecondLife também teve seu momento criativo, com jogadores gastanto seu tempo para criar itens que depois de duplicados eram largamente comercializados. Mas, basicamente, tanto WoW quanto SecondLife convergem por trocar seu tempo por dinheiro.

Falando de Bitcoin, e entrando nesse assunto sem abordar a “segurança do tesouro”, a tecnologia envolvida (genial), botnets/scams e nem comparar com esquemas Ponzi, o Bitcoin lhe incentiva a produzir seu dinheiro utilizando o processamento do seu computador, se benificiando do acesso à internet e a energia gasta por ele neste processo. O conceito é perfeito, “uma máquina fazendo dinheiro para você”! Um dinheiro que pode ser trocado por prazer, serviços e… ops… produtos?

Quando se fala de Bitcoin temos um escambo virtual. Pessoas trocam esta moeda por serviços/produtos tratando-os como favores e cobrando o que julgam valoroso, consequentemente isso dita a flutuação da moeda baseada no interesse do grupo. Quando se trata de trocar por um produto físico esta troca passa a ser um investimento de risco, ou seja, o risco dessa “bolsa de interesses” manter ou não seu valor, não muito diferente da nossa Bolsa de Valores, exceto pelo fato que existem empresas como lastro financeiro.

Pensando dessa forma, o Bitcoin precisa de um estabilizante no mercado, um produto virtual ou físico que tangibilize a troca e o torne financeiramente atraente, ou, em uma realidade à la Facebook, uma supervalorização baseada em pessoas, objetivo real dessa moeda. A questão é que o mercado se interessa em alimentar bolhas como Facebook com dinheiro real, o mesmo não se aplica quando alguém quer transformar seu dinheiro real em dinheiro de verdade sem lhe dar algo em troca.

Na história das transações através do escambo, o dinheiro teve um precursor importante: O Sal; Um mineral difícil de ser obtido e fácil de ser transportado. Bitcoin pode ser o sal da nova era, mas na era atual compramos pacotes de 1kg por menos de R$ 1,50. Para criar um forte lastro inicial seria necessário um grande investidor, este investimento seria como o que a Microsoft fez no Facebook, um grande presente de grego para controlar o mercado.

Escolhas e escolhas

11 nov

Entre as centenas de correntes malucas que já recebi por e-mail [e nunca repassei] a que mais me chamou atenção foi uma apresentação de PowerPoint que comparava a vida com uma viagem de trem. O texto é uma daquelas histórias melosas, com diversas mensagens de auto-ajuda permeando os versos, autoria de Silvana Duboc e hoje já tem até versão narrada no YouTube, mas o interessante é que falava de pessoas que vêem e vão nas nossas vidas.

Usando meu direito de interpretação, acho que não compararia a vida com a viagem, mas sim com várias viagens, onde você escolhe destinos que trazem e levam pessoas, às vezes você retorna, certas vezes só fica a saudade. São escolhas que trazem conseqüências ocultas, mas você geralmente não as percebe até aproveitar ao máximo os frutos da escolha.

Trabalho, amor, família, sonhos ou mensagens malucas vindas do além são motivadores principais de escolhas mal feitas. Sonhos costumam ser razoáveis, já que o pior cenário é a própria decepção e encontram uma estação segura na família, esta que tenta se mover sempre na mesma direção, enquanto mensagens malucas fazem pessoas se jogarem de trens e abreviar suas histórias. Mas o pior de todos é o trabalho, onde as consequências geralmente afetam diretamente todos os outros motivadores.

Talvez o mais cruel do trabalho é que, muitas vezes, mesmo estando no mesmo vagão o viajante está adormecido, e quando acorda percebe que já chegou ao destino e nem teve tempo para espiar a paisagem, pois tentou tanto ser bem sucedido, que esqueceu de ser um ser humano de valor [Einstein].

Ah, quanto ao amor? Para esse, todas consequências são perdoáveis.

Reuniões matam ideias. Ideias matam empresas.

31 out

Fecham-se as portas e os ponteiros do relógio não param, atrás delas, homens discutem o futuro de empresas, produtos e pessoas. A cada minuto que passa surgem novas ideias, novas possibilidades. A cada hora que se vai, aumenta-se o risco de se perder o foco e tudo terminar em ilusões baseadas no ego do homem mais forte da mesa.

Ideias surgem tanto em salas de reuniões quanto em mesas de bar, a diferença é que geralmente as acompanhadas por um cafezinho ou uma cervejinha ou são esquecidas no dia seguinte, ou viram projetos milionários. Enquanto isso, as ideias engravatadas passam por horas de discussão e aprovação até que se gaste toda energia de produção em reunião, e perca-se o timing do projeto.

Hoje em dia não há tempo para perder imaginando o “quão será maravilhoso quando o projeto estiver concluído”, ideias têm data de validade e são jogadas no mercado em grandes lotes duplicados. Portanto, enquanto alguns empresários gastam energia e tempo se masturbando, outros já lançaram o produto e estão transando de verdade.

Enquanto alguns se masturbam, outros fazem de verdade

Fantástica história da falta de segurança no Facebook

25 out

Depois de uma famigerada matéria do Fantástico, rolaram comentários sobre a “falsa proteção do Facebook” e maneiras infalíveis de proteger sua conta solicitando aos seus amigos que alterem suas configurações de atualização. Em resumo: Bullshit!

Primeiramente, na minha opinião, quem acredita e perde tempo com folhetins dominicais televisivos tem mais é que se iludir e continuar repassando mentiras pela internet. Mas, por desencargo de consciência, devo informar que a alteração das configurações de atualização só altera a forma como o “Amigo” vê suas atualizações, e não o mundo público e depravado.

Um dos grandes problemas da internet hoje se chama Google (e seus correlatos), que incentivam pessoas a encher a internet de lixo, organiza esse entulho de forma extremamente duvidosa e oferece aos seus usuários um conteúdo reciclado baseado na experiência de seus amigos, vizinhos e semelhantes. Outro problema, é claro, é o próprio usuário da internet, que usa as redes sociais para escancarar sua vida aos sete ventos e espera que mesmo assim essas informações estejam seguras.

Mas voltando ao Facebook, as rotinas de segurança que teoricamente tornariam um perfil mais “seguro” se referem exclusivamente ao próprio perfil do usuário, sendo assim, nada que este usuário peça para seus amigos fazerem salvará sua identidade dos seres virtuais inescrupulosos que permeiam a internet em busca de informações fresquinhas sobre filmes assistidos, comentários da novela e o almoço do dia anterior.

O Facebook é uma ferramenta em evolução que traz cada vez mais opções que elevam a privacidade do usuário. A mensagem que rolou pela internet instruia as pessoas a ocultar “Comentários e opções Curtir” de forma inútil. Para fazer isso basta usar as ferramentas de privacidade do próprio serviço. Segue algumas sugestões explicadas em segunda pessoa, quer dizer, para você.

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