Notebook Dell no Brasil agora tem bateria retroalimentada

6 maio

Exemplo de inovação em notebooks, a Dell do Brasil lançou em novembro do ano passado o novo Vostro 5470, um ultrabook capaz de ser retroalimentado por energia e funcionar plenamente com a bateria conectada a todo tempo. Essa tecnologia, antes só vista em computadores de mesa, está disponível no meu equipamento e agora posso usa-lo sempre que eu tiver uma tomada por perto, sem ficar me preocupando com descarregamento da bateria ou bateria viciada. E ainda, se não ficou claro até agora, isso é uma piada e o palhaço sou eu.

Logo depois que publiquei aqui o problema que exigiu o suporte técnico, a Dell entrou em contato agendando a troca das peças para o dia 14 de abril, no dia agendado ligaram remarcando para o dia seguinte, alegando que o técnico estaria atendendo a um chamado que demorou mais do que o esperado. Sem problemas, já estava aguardando há 30 dias, então não faria diferença. Mas agora senta aí, porque lá vem a história…

Mais um Dia de D ser enrolado na Dell Brasil

Primeiro atendimento (35 dias depois)

O técnico da Dell veio na terça-feira (15 de abril) efetuar o conserto e trouxe com ele duas caixas lacradas com as peças. Primeiramente testou o carregador e constatou que não era ali o problema. Então desmontou o meu Vostro 5470 e abriu a primeira caixa esperando encontrar uma bateria mas, pasme, encontrou lá dentro um palm rest de um Dell Inspiron (note que o meu modelo é o Vostro). Inconformado, o técnico abriu a segunda caixa para testar a placa-mãe e encontrou uma placa-mãe do mesmo modelo do meu equipamento, porém sem placa de vídeo dedicada.

Algo importante sobre os produtos da Dell é que eles possuem um código chamado “etiqueta de serviço”, que é único para cada equipamento, isso teoricamente foi feito para montar um mapa fiel dos componentes do produto e tornar impossível erros de sistema. Em outras palavras: Colocar a carcaça de um notebook na caixa onde teria que ter uma bateria pode ser erro humano, mas enviar uma placa-mãe diferente da especificada para o equipamento é improvável que seja, visto que os códigos da caixa e do produto eram os mesmos (no caso da placa-mãe).

Para aproveitar a peça, o técnico a instalou e constatou que ela resolvia o problema, então abriu o chamado e me disse que provavelmente a peça correta estava em estoque, portanto no dia seguinte alguém entraria em contato para informar uma nova data para o atendimento.

O Chamado

Dois dias depois que o técnico esteve na minha residência ainda não havia recebido qualquer atualização da Dell, então liguei diretamente para técnico e ele verificou no sistema que não haviam repassado nenhum chamado. Entrei em contato com a Dell e o atendente disse que o chamado estava aberto e com as peças corretas, avisei ele que a Unisys, empresa responsável pelo suporte técnico Dell a nível mundial, havia me dito que não constava nenhum chamado. Depois de alguns minutos o atendente informou que estava aguardando aprovação e já havia “apertado o botão” para o chamado prosseguir.

Como até o dia 23 de abril não houve qualquer manifestação da empresa, entrei novamente em contato com o atendimento que me informou que a placa-mãe havia entrado em processo de importação e que a nova previsão era 30 de abril. Opa, espera aí, então quer dizer que no dia 17 de abril o chamado estava aguardando aprovação para o agendamento da troca e agora estão sendo importadas pela segunda vez? Então devo entender que o atendente anterior mentiu ao dizer que o chamado estava “aberto e com as peças corretas”?

Aparentemente o fato de serem pegos na mentira chamou atenção de alguém na empresa, pois no dia 28 de abril, pela primeira vez, um atendente da Dell entrou em contato para esclarecer que a logística havia revisado o chamado e que as peças não existiam no estoque brasileiro e que a previsão de chegada era pra 30 de abril e poderia sofrer pequenos atrasos devido aos processos alfandegários e de transporte. Como esta mensagem não acrescentou nada no meu dia e não resolveu meu problema, não resisti em ser criativo na minha resposta:

Agradeço pela atenção especial dada ao meu caso enviando-me essa mensagem padrão e gostaria de deixar minha sincera compreensão sobre o pequeno atraso agora confirmado em 50 dias. Imagino que os procedimentos alfandegários do nosso país devam dificultar muito esse processo, principalmente no caso da Dell, onde a entrada internacional de eletrônicos é tão esporádica e seu transporte é feito voluntariamente pela peregrinação de freiras cegas e pernetas do Tibet.

Segundo atendimento (55 dias depois)

Como já era esperado, ninguém entrou em contato até o dia 2 de maio e, como já estou bem treinado, entrei no chat da Dell para engolir a nova desculpa criativa sobre a resolução do meu caso. Desta vez estavam sem criatividade e a transcrição foi:

Atendente: Senhor, verifiquei no sistema, a peça não esta disponivel. Ja foi solicitado com urgencia, assim que a peça estiver disponivel, o tecnico entrara em ctt com o senhor

Eu: Estou aguardando desde 10 de março, você tem outra orientação?

Atendente: Não senhor, a peça ja foi solicitada com ugencia, assim que a peça chegar o tecnico irá entrar em ctt com o senhor para agendar

Eu: A peça está no Brasil?

Atendente: Não sei informar senhor, foi solicitado o prazo, onde era para ter chego dia 30, porem, nao tinha disponivel, foi solicitado novamente um novo prazo

Eu: Essa incompetência é normal ou meu notebook tem uma configuração tão extraordinária a ponto de não existir peça para reposição a um tempo hábil?

Atendente: Senhor, qualquer equipamento que venha apresentar problema esta propenso a nao ter peças disponiveis, sendo assim, ter um prazo maior para a troca, no qual não é classificado como incopetencia, e sim, que não há peça disponivel no momento, pois, já foi solicitada a peça. Solicito novamente que aguarde

Eu: 2 meses pra mim é incompetêncai

Atendente: Entendo senhor, algo mais em que posso ajudar?

Eu: nada, como sempre. obrigado

Ontem a Unisys entrou em contato para agendar o segundo atendimento técnico para hoje. Uma hora depois um atendente da Dell (o mesmo do email) me ligou informando que era de uma área de suporte avançado e que a partir de agora estaria responsável pelo meu caso, que o atendimento já estava sendo providenciado mas que ainda não havia em estoque a placa-mãe correta para o meu modelo, portanto havia sido enviado um componente superior e se eu autorizava a troca mesmo assim. Autorizei e hoje um técnico veio fazer a troca.

Após a troca da placa-mãe o problema persistiu. Aparentemente, a bateria que está há 2 meses sem receber carga e que no dia 15 de abril ainda funcionava, viciou e só serve como peso de papel. Como só mandaram a placa-mãe, um novo atendimento foi aberto para troca da bateria.

Cenas do próximo capítulo:  Marco Aurélio foge com Helena Cristina levando todo dinheiro de Alfredo Manoel, mas é surpreendido por Paola, que ameaça contar tudo à José Daniel. Enquanto isso Paco casa com Tereza e Chistoffer continua sendo enrolado pela Dell.

 


 

UPDATE: O problema foi resolvido no dia seguinte a essa publicação, foi feita a troca da bateria e voltou a funcionar como antes. Pelo menos por algumas semanas. Hoje é 4 de junho, e há pouco mais de duas semanas tive diversos problemas com travamentos, lentidão e barulhos estranhos, logo depois de formatar  desativei cada dispositivo e aparentemente os problemas estabilizaram depois que desativei os drivers de áudio, isso justifica o fato da a região do subwoofer estar emitindo um grunhido mesmo com o som desligado. Mas isso é assunto para uma próxima novela.

Dell tem melhor garantia e suporte técnico, exceto no Brasil

11 abr

Fazer tecnologia já deixou de ser prioridade da Dell há muito tempo, sendo substituído por um modelo de relação com o cliente focado nas suas necessidades e na garantia de um suporte rápido e eficiente, alavancando o faturamento da empresa através dos serviços e valorização da marca. Só esqueceram de comunicar isso para Dell Brasil.

Um amigo me contou que recentemente esperou mais de um mês por notebook que comprou através do site da Dell, estranhei o comentário e argumentei dizendo que eu havia comprado várias vezes pelo site e sempre foi entregue em até 10 dias. Defendi a empresa pois estava realmente satisfeito com o serviço, mas não mudei a opinião dele e ele continua alertando a todos que aguarde sentado pelos pedidos da Dell. Quando contei a ele o meu problema, ele riu e me repetiu toda história que tinha acontecido com ele.

Problema

Comprei um Vostro 5740 em dezembro de 2013. Em março a bateria que antes durava cerca de 8 horas simplesmente parou de guardar a carga e meu ultrabook super fino, super leve, super rápido e com grande autonomia de bateria se tornou um mero desktop pendurado até hoje por um fio.

Ação

Sabendo que o produto tinha suporte em domicílio no dia seguinte nem me preocupei, entrei no chat da Dell, um técnico fez uma análise remota durante uma hora e agendou a substituição da placa mãe, bateria e carregador para – wait for it – três dias úteis. Obviamente reclamei pois no site dizia “próximo dia útil” e ele argumentou dizendo que não, o suporte do meu produto era de 3 dias úteis. Antes que digam que estou reclamando de barriga cheia, observemos o parágrafo anterior onde diz “pendurado até hoje por um fio”, exatamente os três dias úteis não chegaram até hoje (11 de abril).

Serviço técnico no local no próximo dia útil para ultrabook Dell Vostro 5740

Até hoje o site ainda apresenta informação enganosa sobre a garantia desse produto, ferindo o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor e por não fornecer informações claras, precisas e ostensivas quanto a garantia do produto fere também o artigo 31 do CDC, o que prevê detenção de três a um ano e multa.

Solução

Não, estou aguardando a solução por mais de 30 dias, mas continuando a história a Dell me ligou no terceiro dia útil informando que as peças entraram em processo de importação e que a previsão para substituição era até 31 de março. Como não recebi qualquer atualização do caso, entrei em contato no dia 2 de abril e disseram que o novo prazo é até 23 de abril.

Após reclamar e espernear, falei sobre os três dias úteis e o atendente ignorou meu problema dizendo que “mas eu tempo, como descrito pelo contrato de garantia, pode variar de acordo com aregião e a disponibilidade das peças” [sic!]. Contrato? Aí está a pegadinha da Dell.

Garantia da garantia:  Ao comprar um produto Dell, em momento algum você é apresentado a qualquer contrato ou termo de garantia e por isso, assim como qualquer produto comprado, você deve receber esse termo junto com o produto e ele respeitar o que foi anunciado. No caso do meu produto, a informação sobre garantia é o texto comercial ilustrado na imagem acima que ao fim da linha possui um pequenino número 5 (cinco), que quando clicado carrega os “Detalhes importantes” que diz “A disponibilidade varia” e “Outras condições se aplicam”, estas outras condições estão no termos da assistência técnica no local que preveem que “A visita do técnico poderá ocorrer a partir do próximo dia útil, dependendo da região geográfica do Usuário Final e da disponibilidade imediata das peças para o reparo.”. Em resumo, na prática o “Suporte de nível mundial” da Dell brasileira, quando se trata de suporte no dia seguinte é uma farsa e não tem prazo limite para acontecer. Uma evidência de que esse termo foi feito de maneira mal intencionada e com intuito único de “garantir a garantia”, é que logo abaixo no parágrafo seguinte dos termos a assistência técnica por envio via correios garante que “O Usuário Final receberá o equipamento consertado na sua residência em até 15 (quinze) a 20 (vinte) dias úteis, contados a partir da data de entrega nos Correios.”.

Reação

Como não sou obrigado a aguentar quieto enquanto a empresa me trata como otário, parti para o padrão Brastemp de reação e publiquei uma reclamação no Reclame Aqui no dia 31 de março e no dia 2 de abril relatei o problema no Facebook da Dell.

Reclamação sobre serviço de suporte da Dell Brasil

Concluindo, a Dell Brasil monta esta e outras máquinas no país para se beneficiar de incentivos fiscais e fugir de encargos de importação, assim importando “kits de peças” exatos para montagem das máquinas. Nada diferente de outras montadoras nacionais. O problema está nas falhas dessa cadeia de suprimentos que consegue importar um computador inteiro mas peca na previsão de peças avulsas, ou não dá prioridade suficiente para os clientes já existentes focando os esforços somente nas novas vendas.

PS: O artigo 32 do Código de Defesa do Consumidor prevê que o fabricante deve assegurar a oferta de componentes e peças para reposição enquanto não cessar a fabricação do produto.

Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

Cryptomoney e uma pitada de escambo virtual

16 abr

Se tenho uma vaca leiteira e você galinhas botadeiras, talvez seja interessante trocarmos um litro de leite por meia dúzia de ovos, ao menos que você ache que seus seis ovos valem mais do que meu litro de leite, então negociaremos até que nossas percepções de valor sejam compatíveis. Isso é escambo, permuta ou transação de troca. Basicamente é você trocar algo seu que tem valor para alguém, por algo desse alguém que você julga valoroso.

Num contexto histórico, com o passar dos anos os motivos de escambo foram tangibilizados em um objeto genérico comum bem conhecido hoje em dia, o Dinheiro. Com o dinheiro você leva a ideia de valor e não mais seus ovos para trocar por leite, afinal, você precisa de farinha e o dono da farinha precisa de carne, e o dono da carne pode precisar de leite ou açúcar… Bem, essa negociação é bem comum para todos, mas vamos ao que interessa: Qual o valor real do dinheiro?

Sabemos que todo documento possui um lastro econômico, seja seu saldo bancário ou sua reputação, assim como o nosso dinheiro, que possui seu lastro na reputação e dívida do grande e onipotente Estado. Levando isso em consideração, sabemos que por trás de cada nota emitida teremos vacas leiteiras, galinhas botadeiras ou alguém poderosamente alavancado dizendo que irá pagar. Esse é o valor atual do dinheiro, mas e se cada um pudesse produzir dinheiro com base em sua própria reputação?

Suponhamos que você possua uma galinha dos ovos de ouro, sabemos que ouro é um objeto genérico de valor comum cobiçado por todos, portanto podemos troca-lo por qualquer tipo de produto, serviço ou prazer. É isso que acontece com “dinheiros virtuais” como WoW, SecondLife ou Bitcoin.

Há anos o World Of Warcraft se tornou uma fonte de renda para pessoas que descobriram o pulo do gato: Vender o que se ganha com seu tempo de jogo. Foi dessa maneira que surgiram empresas especializadas e até presídios privados explorando a população carcerária à jogar para conseguir mais itens que, posteriormente, seriam comercializado em troca de “dinheiro de verdade”. O SecondLife também teve seu momento criativo, com jogadores gastanto seu tempo para criar itens que depois de duplicados eram largamente comercializados. Mas, basicamente, tanto WoW quanto SecondLife convergem por trocar seu tempo por dinheiro.

Falando de Bitcoin, e entrando nesse assunto sem abordar a “segurança do tesouro”, a tecnologia envolvida (genial), botnets/scams e nem comparar com esquemas Ponzi, o Bitcoin lhe incentiva a produzir seu dinheiro utilizando o processamento do seu computador, se benificiando do acesso à internet e a energia gasta por ele neste processo. O conceito é perfeito, “uma máquina fazendo dinheiro para você”! Um dinheiro que pode ser trocado por prazer, serviços e… ops… produtos?

Quando se fala de Bitcoin temos um escambo virtual. Pessoas trocam esta moeda por serviços/produtos tratando-os como favores e cobrando o que julgam valoroso, consequentemente isso dita a flutuação da moeda baseada no interesse do grupo. Quando se trata de trocar por um produto físico esta troca passa a ser um investimento de risco, ou seja, o risco dessa “bolsa de interesses” manter ou não seu valor, não muito diferente da nossa Bolsa de Valores, exceto pelo fato que existem empresas como lastro financeiro.

Pensando dessa forma, o Bitcoin precisa de um estabilizante no mercado, um produto virtual ou físico que tangibilize a troca e o torne financeiramente atraente, ou, em uma realidade à la Facebook, uma supervalorização baseada em pessoas, objetivo real dessa moeda. A questão é que o mercado se interessa em alimentar bolhas como Facebook com dinheiro real, o mesmo não se aplica quando alguém quer transformar seu dinheiro real em dinheiro de verdade sem lhe dar algo em troca.

Na história das transações através do escambo, o dinheiro teve um precursor importante: O Sal; Um mineral difícil de ser obtido e fácil de ser transportado. Bitcoin pode ser o sal da nova era, mas na era atual compramos pacotes de 1kg por menos de R$ 1,50. Para criar um forte lastro inicial seria necessário um grande investidor, este investimento seria como o que a Microsoft fez no Facebook, um grande presente de grego para controlar o mercado.

Escolhas e escolhas

11 nov

Entre as centenas de correntes malucas que já recebi por e-mail [e nunca repassei] a que mais me chamou atenção foi uma apresentação de PowerPoint que comparava a vida com uma viagem de trem. O texto é uma daquelas histórias melosas, com diversas mensagens de auto-ajuda permeando os versos, autoria de Silvana Duboc e hoje já tem até versão narrada no YouTube, mas o interessante é que falava de pessoas que vêem e vão nas nossas vidas.

Usando meu direito de interpretação, acho que não compararia a vida com a viagem, mas sim com várias viagens, onde você escolhe destinos que trazem e levam pessoas, às vezes você retorna, certas vezes só fica a saudade. São escolhas que trazem conseqüências ocultas, mas você geralmente não as percebe até aproveitar ao máximo os frutos da escolha.

Trabalho, amor, família, sonhos ou mensagens malucas vindas do além são motivadores principais de escolhas mal feitas. Sonhos costumam ser razoáveis, já que o pior cenário é a própria decepção e encontram uma estação segura na família, esta que tenta se mover sempre na mesma direção, enquanto mensagens malucas fazem pessoas se jogarem de trens e abreviar suas histórias. Mas o pior de todos é o trabalho, onde as consequências geralmente afetam diretamente todos os outros motivadores.

Talvez o mais cruel do trabalho é que, muitas vezes, mesmo estando no mesmo vagão o viajante está adormecido, e quando acorda percebe que já chegou ao destino e nem teve tempo para espiar a paisagem, pois tentou tanto ser bem sucedido, que esqueceu de ser um ser humano de valor [Einstein].

Ah, quanto ao amor? Para esse, todas consequências são perdoáveis.

Google, The Garbage Collector

4 nov

Há um mês iniciei uma “operação limpeza” para eliminar meus resultados do Google. O objetivo era verificar quanto tempo levaria para o indexador trazer resultados mais frescos e “me esquecer”. Minha primeira ação foi examinar todos os resultados que o buscador trazia para meu nome (com aspas). Percebi que a maioria se referia a serviços web que utilizo, assinaturas em sites de clientes e fóruns e notícias que comentei.

A limpeza começou por ofuscar os resultados, para isso troquei os nomes usados em redes sociais como Facebook, Twitter, LinkedIn e Google Plus. Como o pessoal do Google Plus gosta de fazer uma novelinha para trocar o nome (veja na imagem abaixo), excluí o perfil sem remorso algum. Para o caso das notícias e fóruns, mandei e-mails pedindo a alteração do conteúdo e, por fim, alterei lugares onde meu nome estava escrito em páginas que eu tinha acesso, sobrando apenas este blog, que usando as configurações do próprio WordPress escolhi que meu site deixasse de ser visível para buscadores.

Alguém pode explicar para o pessoal de Mountain View que, no mundo real, as pessoas raramente são perseguidas por publicadores megalomaníacos com o objetivo único de explicitar e manter histórico de tudo o que elas fazem nas ruas?

Minha teoria era que em duas semanas os resultados começassem a sumir, fiquei surpreso ao ver que 3 dias depois eles já diminuiram de 1370 para 1350, e mais surpreso ainda quando percebi que, em momentos de crise, nosso Garbage Collector entra em desespero e começa a apelar.

O primeiro fator estranho é que o resultado contendo meu perfil do Google Plus não desapareceu, mesmo tendo sido o primeiro registro a ser excluído e ser algo dentro do seu próprio domínio. Até aí tudo bem, eles só estão protegendo seu produto, mas tudo muda quando no primeiro resultado você lê a frase: Uma descrição para este resultado não está disponível devido ao arquivo robots.txt do site. Saiba mais. Isso mesmo, Google só respeita seu robots.txt quando é conveniente para ele.

Google desrespeitando regras de robots.txt

Robots.txt é um protocolo criado em 1994 que visa proteger o conteúdo de páginas na internet. Segundo o Google, ele respeita as regras do protocolo e na teoria não exibe resultados onde o Robots.txt está limitando seus robôs de vasculharem o site.

Outro fator extremamente estranho foi que depois das páginas internas do blog sumirem o número de resultados mais que dobrou, indo de 1350 em 7 de outubro para 3390 em 25 de outubro (screenshot acima). Acontece que, ao não ter conteúdo interessante suficiente para manter seus números altos, o buscador preferiu abriu seu leque para serviços secundários como Twitter, que seria colapsado em uma busca comum.

Hoje, exatamente um mês após o início da limpeza, tenho 2940 resultados e tive mais uma surpresa: Google Garbage Collector restaurou links inimagináveis como meu Badoo, excluído há mais de um ano, meu flavors.me que parecia nunca ter sido indexado, um perfil do Sonico que nem lembrava da existência e dezenas de sub-serviços sem relevância alguma.

Resumindo: Imagine o Google como um paparazzi atrás de você 24 horas por dia, batendo fotos da fachada da sua casa (Facebook), gravando o que você diz entre uma roda de conhecidos (Twitter) e stalkeando sua vida profissional (LinkedIn), mas quando você diz para ele que já chega, que você não está mais afim de ser perseguido, ele começa a revirar seu lixo para re-publicar coisas como sua ida à padaria ou a tropeçada que você deu na calçada quando um dálmata listrado cruzou seu caminho aos 7 anos de idade.

Post-Scriptum

Apesar do perfil do Google Plus ainda não ter desaparecido dos resultados até hoje, as referências ao Facebook foram retiradas menos de 2 semanas depois de eu trocar meu nome na rede social. Já o LinkedIn foi alterado há alguns dias, enquanto isso Twitter esta lá e parece que não pretende se mover.

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