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Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

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Verdades e Mentiras

19 abr

Já dizia a música de Renato Russo, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”, não sei se a afirmação é de toda verdade, mas na sociedade capitalista do consumo essa “pior mentira” se repete a cada vez que o consumidor compra algo que nunca usa. Se não vai usar, por que comprar? Se não comprar, como saber que não vai usar?

A publicidade vende uma mentira que o consumidor gosta de comprar, e se sente bem por isso. O sujeito fumava o cigarro achando que todas as mulheres gostavam disso, e todas as mulher realmente achavam isso sexy, porque, assim como o sujeito, elas também compravam a idéia da propaganda. Um dia veio alguém e disse que o cigarro fazia mal, mas isso não influenciou no pensamento das pessoas. Então alguém veio mais tarde e disse que a propaganda alimenta esse mal e proibiu a propaganda. As pessoas compraram essa nova idéia e depois de um tempo começara a achar o fumante algo repugnante.

Beber cerveja atrai rodinha de mulheres gostosas, usar tal perfume faz com que aquela garota lhe dê atenção, beber coca-cola lhe faz ver o mundo de maneira diferente, ouvir samba[1990]-pagode[1995]-funk[2000]-emo[2010] faz você ser um cara legal, salve as baleias, os pandas e o mundo do aquecimento global. Viva isso tudo até que alguém proíba ou sugira uma verdade mais interessante.

Todo publicitário é um mentiroso, cria verdades superficiais que o consumidor (mentiroso de si mesmo) finge acreditar. Surge então um novo joguinho: me engane sem fingir, que eu me engano até acreditar.

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