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A dança da chuva

2 mar

Paciência nunca foi uma das minhas melhores qualidades, não gosto de decisões demoradas ou de esperar por algo que já deveria ter chego. Sobretudo, sou do tipo que faz questão de chegar atrasado para não ter de esperar.

Você já parou para contar quantas vezes olhou para o relógio, celular ou observou uma placa distante enquanto espera por alguém? Sei, isso realmente é um saco, mas é o mais puro conceito da famosa dança da chuva. Você se mantém dançando até que ela caia. Sempre funciona.

Ao contrário de nossos nossos ancestrais, a metereologia e o forno microondas nos educaram a não esperar até a chuva chegar. Hoje preferimos praticar uma nova técnica: reclamar até ela cessar.

Minha técnica atual para driblar meus anseios é me manter ocupado com subtarefas do objeto principal da minha impaciência, isso me deixa ocupado o suficiente para não precisar reclamar.

Basicamente, minha técnica se baseia em “me manter dançando até que ela caia”, ou pelo menos até que o primeiro escorregão me faça perceber que não adianta esperar e é melhor partir para outra.

Carnaval e o ócio criativo

24 fev

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou desses que conta os dias para o carnaval, se veste de mulher e vai entoando marchinhas até o amanhecer.  Ao contrário, faço mais o estilo que fica em casa, no sofá, assistindo a Mangueira [escola de samba] entrar [na Sapucaí].

Sei que pode parecer triste, mas pra mim o que sempre importou no carnaval foi o feriadão. Alias, sempre não, porque na minha pré-adolescência também era sinônimo de peitinhos na TV.

Balelas a parte, nesta segunda-feira de carnaval, eu trabalhei. Nesta terça-feira de carnaval, também irei trabalhar. Na quarta-feira de cinzas então, nem preciso dizer. Tenho que confessar que é broxante ver as ruas vazias, restaurantes fechados e todos elevadores no térreo. A cara de tédio e os resmungos constantes deixavam claro que o sentimento era compartilhado em todo o escritório.

Logo no início da manhã já dava para perceber o quão produtivo seria o dia, mas não tenho do que reclamar. Afinal, não gosto de carnaval e troquei meu feriado por um dia de folga na semana passada.

Apesar de amar o que faço, nessas horas gostaria de trabalhar no chão de fábrica. Não digo isso porque muitas empresas deram folga no carnaval só para diminuir os efeitos da crise, mas porque mesmo desmotivado eu conseguiria executar funções repetitivas.

Bem, talvez eu tenha mesmo que agradecer por estar trabalhando hoje. Mas ainda não entendo como empresas baseadas em conhecimento, conseguem achar que um dia como este pode ser mais lucrativo do que ter um funcionário feliz, descansado e satisfeito o ano inteiro.

PS: O próximo post como esse será no dia 26 de dezembro, comentando sobre o período “entre o Natal e o fim do mundo”.

Ter um blog é fácil, difícil é manter

10 fev

Quem leu o primeiro post sabe que criei meu blog porque “um dia acordei com vontade de blogar”, naquele dia não sabia realmente se queria ter um blog até clicar no botão “Publicar”, desde então as pessoas me param na rua e perguntam “Christoffer, sobre o que é o seu blog?”, e um silêncio absoluto invade a minha mente me deixando sem respostas.

Meu blog é sobre qualquer coisa. Não preciso de um tema para ele, sei que a maioria dos visitantes cairão de para-quedas vindos de algum mecanismo de busca qualquer. Também sei que escrever estes dois parágrafos não irá justificar ter ficado quase dois meses sem postar nada, o que me remete ao título deste texto: Ter um blog é fácil, difícil é manter.

No final de 2007 criei um blog para Fábrica Di Chocolate, a idéia era um criar um meio de atrair visitantes através de assuntos aleatórios envolvendo o produto e a idéia de negócio. O objetivo era “ser informal” e por isso mantive notícias gerais, indo desde informativos sobre investimento até alfinetadas no concorrente principal. Depois da minha saída da empresa, o blog não teve muito movimento e frequentemente tento lembra-los que ele ainda existe.

Ter um blog é diferente de manter um blog, escolher assuntos fresquinhos e elaborar um textos pomposos pode levar horas. Este post por exemplo, já estou a quase uma hora nele e ainda está na metade.

Manter um blog pessoal pode ser uma tarefa mais simples, você pode falar sobre seu dia-a-dia e coisas que gosta de fazer. Manter um blog corporativo é algo mais complicado, você precisa realmente ter atualizações frequentes, pelo menos duas por semana. Manter um blog com assunto específico é mais doloroso, você precisa dar uma dose de feed constante aos usuários senão eles procuram outra fonte. Manter meu blog é uma experiência espiritual, só preciso escrever grandes textos de tempos-em-tempos e ficar me martirizando por não conseguir ser mais frequente.

A primeira vez que ouvi a palavra “weblog” saindo da boca de uma pessoa séria, foi quando minha professora de sociologia do terceiro ano fez em particular um comentário sobre “um novo tipo de mídia” que ela havia lido a respeito, provavelmente não levei nenhum pouco em consideração, afinal ela tinha quase 60 anos e para mim blogs eram só “diários virtuais”.

Hoje acho que deveria ter levado a senhora Monita Reimer-Ridgway mais a sério, mas não posso me culpar, eu era o único da escola inteira que dava algum crédito a ela. Apesar de um pouco excêntrica, percebi mais tarde que ela realmente sabia o que estava dizendo, infelizmente eu não era maduro suficiente para entender que aquela mulher poderia me ensinar muito sobre design, internet e tendências.

Além de blogs, foi dela que levei o primeiro puxão de orelha por não dar “ar para o texto respirar” e não calcular o espaço disponível do papel antes de escrever. Ela também falava de coisas como spam e sobre visitantes que não ficariam a vontade se o site tivesse um menu vertical com o texto na vertical. Monita era realmente uma pessoa fascinante e com uma impressionante história de vida, se você encontrá-la na rua ou promovendo um evento de moda na sua região, fica como sugestão puxar conversa com ela.

Enquanto não encontro uma nova especialista em moda/professora de sociologia para conversar, continuo escrevendo textos inconstantes para meu blog e deixo o desafio: Crie um blog, Tenha um blog, Mantenha um blog.

PS: Tenho que admitir que nunca me pararam na rua, mas gosto de pensar que a causa são os fones de ouvido.

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