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Podando a criatividade

22 out

Nunca parei para pensar o motivo da lâmpada ser um símbolo de “nova ideia”. Talvez seja um flash de luz, um insight ou, ainda talvez, o supra-sumo da criatividade. Afinal, criar é dar origem a algo novo, tirar um elefante branco da cartola, ver algo nascer do nada, dar à luz.

Muitas pessoas que conheço são criativas, o motorista da última empresa que trabalhei era extremamente criativo ao colocar uma escada sobre uma cadeira com rodinhas para trocar uma lâmpada. Gênios do design projetam aparelhos esteticamente perfeitos que não podem ser usados por canhotos. Verdadeiros artistas fazem peças publicitárias milionárias onde o lúdico rouba todo espaço do produto.

Criatividade sem medir consequências é arte plástica. Não é isso que um designer [de software, de produto, de interação, de experiência, gráfico, web, blabla] experiente e responsável faz. Às vezes parte dispensável da usabilidade ou acessibilidade é sacrificada por um visual mais interessante, às vezes o produto precisa de interação e erro, às vezes o objeto do design é intuitivo suficiente para terceiros que nem conhecem a tecnologia, porém não é para quem tem acesso frequente à ela.

Calcular riscos é inerente e, muitas vezes, automático em um designer proporcionalmente ao tempo de experiência ou estudo que ele tem. Impor restrições a estes conceitos é duvidar da responsabilidade e da capacidade do profissional, rebaixando seu “risco calculado” à “risco moral” e podando sua criatividade.

Chama o técnico!

21 fev

Trabalhar na área de informática tem seus prós e contras, o maior contra com certeza é todos acharem que você tem as respostas para todos seus “problemas informáticos”. Invariavelmente eu as tenho, mas isso não quer dizer que estou disposto a responde-las. 

Depois da sensacional camiseta com a escrita “No, I will not fix your computer.”, acho que a melhor maneira de demonstrar o quanto isso é frustrante, é a imagem abaixo.

Small talk with a web designer

original (em inglês)  pode ser encontrada no The Man in Blue, encontrei essa versão em português no site “Interativando” 

O que acontece é que ninguém pede para um engenheiro civil sentar um tijolo ou um chef de cozinha francês cozinhar um ovo. Não que eles não o saibam fazer, mas houve em algum momento um motivo para que não escolhessem esse seguimento.

Tive meu primeiro contato com computador aos 11 anos, aos 13 aprendi a programar, com quase 14 ganhei meu primeiro computador e comecei a me interessar e criar para internet. Aos 17 anos iniciei como instrutor de informática e aos 18 fui contratado pela primeira vez para exercer a função de designer; desde então não parei de estudar programação, design e projetos para web.

Apesar da minha evolução passar por diversos softwares e meus apuros me garantirem uma boa noção de hardware, eu sinto informar a meus amigos que não tenho o menor prazer ou qualquer momento nostálgico quando me pedem coisas como “Instalar o Windows”, “Ver por que _____ não funciona” ou “Porque minha máquina tá lenta?”.

Acredito que isso é um mal da maioria das profissões, provavelmente neurocirurgiões mundialmente famosos são indagados por sua emprega sobre “a dorzinha no polegar direito que a vizinha está sentindo” e respeitados advogados criminalistas são indagados por seus pais sobre a cobrança indevida que a operadora de celular fez.

Algo que evito ao máximo, é responder que não sei fazer. Onde ficará meu orgulho quando a pessoa dizer a alguém que eu não soube resolver?  Prefiro fazer como um técnico amigo meu, que quando encontrava dificuldade em resolver um problema gritava “chama o técnico!!”.

Ter um blog é fácil, difícil é manter

10 fev

Quem leu o primeiro post sabe que criei meu blog porque “um dia acordei com vontade de blogar”, naquele dia não sabia realmente se queria ter um blog até clicar no botão “Publicar”, desde então as pessoas me param na rua e perguntam “Christoffer, sobre o que é o seu blog?”, e um silêncio absoluto invade a minha mente me deixando sem respostas.

Meu blog é sobre qualquer coisa. Não preciso de um tema para ele, sei que a maioria dos visitantes cairão de para-quedas vindos de algum mecanismo de busca qualquer. Também sei que escrever estes dois parágrafos não irá justificar ter ficado quase dois meses sem postar nada, o que me remete ao título deste texto: Ter um blog é fácil, difícil é manter.

No final de 2007 criei um blog para Fábrica Di Chocolate, a idéia era um criar um meio de atrair visitantes através de assuntos aleatórios envolvendo o produto e a idéia de negócio. O objetivo era “ser informal” e por isso mantive notícias gerais, indo desde informativos sobre investimento até alfinetadas no concorrente principal. Depois da minha saída da empresa, o blog não teve muito movimento e frequentemente tento lembra-los que ele ainda existe.

Ter um blog é diferente de manter um blog, escolher assuntos fresquinhos e elaborar um textos pomposos pode levar horas. Este post por exemplo, já estou a quase uma hora nele e ainda está na metade.

Manter um blog pessoal pode ser uma tarefa mais simples, você pode falar sobre seu dia-a-dia e coisas que gosta de fazer. Manter um blog corporativo é algo mais complicado, você precisa realmente ter atualizações frequentes, pelo menos duas por semana. Manter um blog com assunto específico é mais doloroso, você precisa dar uma dose de feed constante aos usuários senão eles procuram outra fonte. Manter meu blog é uma experiência espiritual, só preciso escrever grandes textos de tempos-em-tempos e ficar me martirizando por não conseguir ser mais frequente.

A primeira vez que ouvi a palavra “weblog” saindo da boca de uma pessoa séria, foi quando minha professora de sociologia do terceiro ano fez em particular um comentário sobre “um novo tipo de mídia” que ela havia lido a respeito, provavelmente não levei nenhum pouco em consideração, afinal ela tinha quase 60 anos e para mim blogs eram só “diários virtuais”.

Hoje acho que deveria ter levado a senhora Monita Reimer-Ridgway mais a sério, mas não posso me culpar, eu era o único da escola inteira que dava algum crédito a ela. Apesar de um pouco excêntrica, percebi mais tarde que ela realmente sabia o que estava dizendo, infelizmente eu não era maduro suficiente para entender que aquela mulher poderia me ensinar muito sobre design, internet e tendências.

Além de blogs, foi dela que levei o primeiro puxão de orelha por não dar “ar para o texto respirar” e não calcular o espaço disponível do papel antes de escrever. Ela também falava de coisas como spam e sobre visitantes que não ficariam a vontade se o site tivesse um menu vertical com o texto na vertical. Monita era realmente uma pessoa fascinante e com uma impressionante história de vida, se você encontrá-la na rua ou promovendo um evento de moda na sua região, fica como sugestão puxar conversa com ela.

Enquanto não encontro uma nova especialista em moda/professora de sociologia para conversar, continuo escrevendo textos inconstantes para meu blog e deixo o desafio: Crie um blog, Tenha um blog, Mantenha um blog.

PS: Tenho que admitir que nunca me pararam na rua, mas gosto de pensar que a causa são os fones de ouvido.

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