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Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

Podando a criatividade

22 out

Nunca parei para pensar o motivo da lâmpada ser um símbolo de “nova ideia”. Talvez seja um flash de luz, um insight ou, ainda talvez, o supra-sumo da criatividade. Afinal, criar é dar origem a algo novo, tirar um elefante branco da cartola, ver algo nascer do nada, dar à luz.

Muitas pessoas que conheço são criativas, o motorista da última empresa que trabalhei era extremamente criativo ao colocar uma escada sobre uma cadeira com rodinhas para trocar uma lâmpada. Gênios do design projetam aparelhos esteticamente perfeitos que não podem ser usados por canhotos. Verdadeiros artistas fazem peças publicitárias milionárias onde o lúdico rouba todo espaço do produto.

Criatividade sem medir consequências é arte plástica. Não é isso que um designer [de software, de produto, de interação, de experiência, gráfico, web, blabla] experiente e responsável faz. Às vezes parte dispensável da usabilidade ou acessibilidade é sacrificada por um visual mais interessante, às vezes o produto precisa de interação e erro, às vezes o objeto do design é intuitivo suficiente para terceiros que nem conhecem a tecnologia, porém não é para quem tem acesso frequente à ela.

Calcular riscos é inerente e, muitas vezes, automático em um designer proporcionalmente ao tempo de experiência ou estudo que ele tem. Impor restrições a estes conceitos é duvidar da responsabilidade e da capacidade do profissional, rebaixando seu “risco calculado” à “risco moral” e podando sua criatividade.

Devolvam o Orkut para os americanos

28 ago

Não é fácil desenvolver para um grande número de usuários, ainda mais algo com tantos sentimentos envolvidos como uma rede social, mas tenho que dizer que desde que a Google largou de mão o desenvolvimento do Orkut, ele nunca mais foi o mesmo. Se você é um usuário assíduo dessa rede social sabe do que estou falando, entre minha rede de amigos as reclamações são diversas, eu mesmo uso o “Novo Orkut” desde o início e até hoje ainda tenho que voltar para a versão antiga para ver minhas estatísticas de acesso, visitantes recentes, alterar alguns dados com mais facilidade e marcar pessoas em fotos.

Nunca fui fã do design mal planejado (e mal acabado), assim como das novas funções exageradamente inúteis ou usualmente incapazes do “Novo Orkut”, mas as últimas alterações superaram todos os defeitos do site, estragando a excelente função de “Grupo de amigos” que existe desde o início da rede social. Não quero me alongar no assunto, mas só fica a dúvida: Se o objetivo era dar ênfase ao agrupamento de amigos, por que não posso escolher o grupo ao adicionar/aceitar uma pessoa (assim como na versão antiga)?

Arrisco-me dizer que os desenvolvedores e designers brasileiros são os melhores do mundo, mas acredito que jogar o projeto Orkut na mão de estagiários de ensino médio só esteja colaborando com a ascensão do Facebook no país.

Chama o técnico!

21 fev

Trabalhar na área de informática tem seus prós e contras, o maior contra com certeza é todos acharem que você tem as respostas para todos seus “problemas informáticos”. Invariavelmente eu as tenho, mas isso não quer dizer que estou disposto a responde-las. 

Depois da sensacional camiseta com a escrita “No, I will not fix your computer.”, acho que a melhor maneira de demonstrar o quanto isso é frustrante, é a imagem abaixo.

Small talk with a web designer

original (em inglês)  pode ser encontrada no The Man in Blue, encontrei essa versão em português no site “Interativando” 

O que acontece é que ninguém pede para um engenheiro civil sentar um tijolo ou um chef de cozinha francês cozinhar um ovo. Não que eles não o saibam fazer, mas houve em algum momento um motivo para que não escolhessem esse seguimento.

Tive meu primeiro contato com computador aos 11 anos, aos 13 aprendi a programar, com quase 14 ganhei meu primeiro computador e comecei a me interessar e criar para internet. Aos 17 anos iniciei como instrutor de informática e aos 18 fui contratado pela primeira vez para exercer a função de designer; desde então não parei de estudar programação, design e projetos para web.

Apesar da minha evolução passar por diversos softwares e meus apuros me garantirem uma boa noção de hardware, eu sinto informar a meus amigos que não tenho o menor prazer ou qualquer momento nostálgico quando me pedem coisas como “Instalar o Windows”, “Ver por que _____ não funciona” ou “Porque minha máquina tá lenta?”.

Acredito que isso é um mal da maioria das profissões, provavelmente neurocirurgiões mundialmente famosos são indagados por sua emprega sobre “a dorzinha no polegar direito que a vizinha está sentindo” e respeitados advogados criminalistas são indagados por seus pais sobre a cobrança indevida que a operadora de celular fez.

Algo que evito ao máximo, é responder que não sei fazer. Onde ficará meu orgulho quando a pessoa dizer a alguém que eu não soube resolver?  Prefiro fazer como um técnico amigo meu, que quando encontrava dificuldade em resolver um problema gritava “chama o técnico!!”.

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