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Direito de ser esquecido

14 maio

A corte da União Européia acha que o grande colecionador de lixo não está sendo criterioso suficiente em seus resultados e disse que as pessoas tem direito de serem “esquecidas” pela internet. Sou favorável e, com uma boa interpretação do Marco Civil da Internet, acredito que o Brasil já está no caminho para decisões parecidas.

O objetivo inicial do Google era de indexar toda internet e, como uma bibliotecária maluca, vasculhar seus registros em busca do conteúdo que pessoas estivessem interessadas. Acontece que eles se perderam e começaram a acumular lixo, conteúdo irrelevante, excessivo e tão velho que, se fosse físico, estaria em em decomposição. E este foi o fator motivador da decisão do tribunal europeu.

No Brasil não estamos distantes disso, se você procurar pelo seu nome completo encontrará links de sites como JusBrasil e Radar Oficial expondo sua vida nas páginas de resultados dos buscadores. Isso acontece porque esses sites permitem que os robôs dos mecanismos de busca vasculhem sua “versão amigável” do Diário Oficial, uma informação que, na minha opinião, deveria ser restrito aos mecanismos dos sites dos Diários Oficiais e não estar misturado com resultados dos seus posts no Twitter, seu perfil do Facebook e sua opinião em um vídeo do YouTube.

Não se trata de direito de expressão, mas sim uma replicação que expõe a privacidade de qualquer um. Ser relevante, pertinente e contemporâneo não é uma tarefa difícil para quem consegue seccionar notícias, livros, produtos de lojas, locais, blogs, redes sociais, etc., mas se for tão difícil de imaginar como melhorar os resultados, vou dar uma dica: O PageRank foi concebido a partir de links de referência, então pode-se considerar que se a página está muito tempo sem alteração, tem poucos links para ela e nenhum site a cita há muito tempo, é lixo. A pessoa que busca por um termo tão específico ou sabe muito bem o que tem nessa página, ou não deve estar bem intencionada.

Aplicando a regra: Não existem muitos links para as páginas específicas do Diário Oficial e o conteúdo é estático, aplicando uma janela de, por exemplo, dois anos, nada muito antigo virá a tona. Sites de empresas sem atualização em dois anos devem conter informações desatualizadas e se, na era das Redes Sociais, não receberam nenhum link de referência novo é porque não são populares na internet. Notícias, fóruns, Q&A e outros sites com conteúdo automatizado revivem conteúdos sempre que voltam a ser relevantes.

Talvez alguns digam que isso restringirá o acesso aos resultados, mas só dirá isso quem está confortável com sua bolha e pensa que os resultados já não são filtrados mais do que deveriam. Conteúdos podem ser esquecidos e se empresas como Google tivessem isso em mente, problemas como o do senhor Mario Costeja González poderiam ser evitados.

Não sabe quem é o Mario? Pesquise no Google. Mas seja rápido, ele logo não estará mais lá.

 

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