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Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

Reuniões matam ideias. Ideias matam empresas.

31 out

Fecham-se as portas e os ponteiros do relógio não param, atrás delas, homens discutem o futuro de empresas, produtos e pessoas. A cada minuto que passa surgem novas ideias, novas possibilidades. A cada hora que se vai, aumenta-se o risco de se perder o foco e tudo terminar em ilusões baseadas no ego do homem mais forte da mesa.

Ideias surgem tanto em salas de reuniões quanto em mesas de bar, a diferença é que geralmente as acompanhadas por um cafezinho ou uma cervejinha ou são esquecidas no dia seguinte, ou viram projetos milionários. Enquanto isso, as ideias engravatadas passam por horas de discussão e aprovação até que se gaste toda energia de produção em reunião, e perca-se o timing do projeto.

Hoje em dia não há tempo para perder imaginando o “quão será maravilhoso quando o projeto estiver concluído”, ideias têm data de validade e são jogadas no mercado em grandes lotes duplicados. Portanto, enquanto alguns empresários gastam energia e tempo se masturbando, outros já lançaram o produto e estão transando de verdade.

Enquanto alguns se masturbam, outros fazem de verdade

Fantástica história da falta de segurança no Facebook

25 out

Depois de uma famigerada matéria do Fantástico, rolaram comentários sobre a “falsa proteção do Facebook” e maneiras infalíveis de proteger sua conta solicitando aos seus amigos que alterem suas configurações de atualização. Em resumo: Bullshit!

Primeiramente, na minha opinião, quem acredita e perde tempo com folhetins dominicais televisivos tem mais é que se iludir e continuar repassando mentiras pela internet. Mas, por desencargo de consciência, devo informar que a alteração das configurações de atualização só altera a forma como o “Amigo” vê suas atualizações, e não o mundo público e depravado.

Um dos grandes problemas da internet hoje se chama Google (e seus correlatos), que incentivam pessoas a encher a internet de lixo, organiza esse entulho de forma extremamente duvidosa e oferece aos seus usuários um conteúdo reciclado baseado na experiência de seus amigos, vizinhos e semelhantes. Outro problema, é claro, é o próprio usuário da internet, que usa as redes sociais para escancarar sua vida aos sete ventos e espera que mesmo assim essas informações estejam seguras.

Mas voltando ao Facebook, as rotinas de segurança que teoricamente tornariam um perfil mais “seguro” se referem exclusivamente ao próprio perfil do usuário, sendo assim, nada que este usuário peça para seus amigos fazerem salvará sua identidade dos seres virtuais inescrupulosos que permeiam a internet em busca de informações fresquinhas sobre filmes assistidos, comentários da novela e o almoço do dia anterior.

O Facebook é uma ferramenta em evolução que traz cada vez mais opções que elevam a privacidade do usuário. A mensagem que rolou pela internet instruia as pessoas a ocultar “Comentários e opções Curtir” de forma inútil. Para fazer isso basta usar as ferramentas de privacidade do próprio serviço. Segue algumas sugestões explicadas em segunda pessoa, quer dizer, para você.

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Podando a criatividade

22 out

Nunca parei para pensar o motivo da lâmpada ser um símbolo de “nova ideia”. Talvez seja um flash de luz, um insight ou, ainda talvez, o supra-sumo da criatividade. Afinal, criar é dar origem a algo novo, tirar um elefante branco da cartola, ver algo nascer do nada, dar à luz.

Muitas pessoas que conheço são criativas, o motorista da última empresa que trabalhei era extremamente criativo ao colocar uma escada sobre uma cadeira com rodinhas para trocar uma lâmpada. Gênios do design projetam aparelhos esteticamente perfeitos que não podem ser usados por canhotos. Verdadeiros artistas fazem peças publicitárias milionárias onde o lúdico rouba todo espaço do produto.

Criatividade sem medir consequências é arte plástica. Não é isso que um designer [de software, de produto, de interação, de experiência, gráfico, web, blabla] experiente e responsável faz. Às vezes parte dispensável da usabilidade ou acessibilidade é sacrificada por um visual mais interessante, às vezes o produto precisa de interação e erro, às vezes o objeto do design é intuitivo suficiente para terceiros que nem conhecem a tecnologia, porém não é para quem tem acesso frequente à ela.

Calcular riscos é inerente e, muitas vezes, automático em um designer proporcionalmente ao tempo de experiência ou estudo que ele tem. Impor restrições a estes conceitos é duvidar da responsabilidade e da capacidade do profissional, rebaixando seu “risco calculado” à “risco moral” e podando sua criatividade.

Emancipando o Brasil

21 nov

Hoje passei algumas horas brincando com os novos números do IBGE, o resultado ainda não é oficial, mas segundo os números preliminares temos 5.565 municípios, sendo destes 224 com mais de 100 mil habitantes representando quase a metade dos 185,7 milhões contados pelo Censo 2010.

Entre os 224 maiores municípios brasileiros, temos São Paulo com quase 11 milhões de cabeças, o Rio com seus quase 6 milhões e uma sorte de 12 outros com mais de 1 milhão, sobrando ainda 5.341 municípios com menos de 100 mil habitantes, dos quais cerca de 15% não devem ser maiores do que o menor bairro dos 224 maiores municípios e dão um prejuízo danado pra união.

No estado de São Paulo 158 dos 645 municípios tem menos de 5 mil habitantes, outros 193 deles tem até 15 mil. No segundo maior estado da federação, Minas, estão 853 municípios dos quais 243 tem menos de 5 mil habitantes e 372 até 15 mil. Ficam neste dois estados as cidades com menor população, elas são Borá/SP com 805 habitantes e Serra da Saudade em Minas Gerais com 810.

Sem contar os gastos com prefeitos e dando todo mérito aos 51.748 vereadores do Brasil, o salário de um vereador em uma cidade de até 10 mil habitantes é de no máximo 20% do salário do deputado estadual, esta variação chega até 75% em cidades com mais de 500 mil habitantes e são eles mesmo que votam o quanto querem ganhar no próximo mandato. Em São Paulo (mais de 10 milhões de habitantes), por exemplo, os vereadores recebem 9.288 reais. Já em Vitória/ES (~300 mil habitantes) o salário é de 3.000 reais. O maior salário é o de Campo Grande/MS, 9.500 reais, a população da cidade é de aproximadamente 750 mil habitantes. Os benefícios recebidos pelos vereadores em uma cidade com até 100 mil habitantes são de até 8% dos benefícios que um deputado estadual recebe.

Fazendo um cálculo simples, pensando somente no básico, os 224 maiores municípios brasileiros somados terão um máximo de 4996 vereadores (antes da Emenda Constitucional de 2009 este número seria de 5000), considerando o salário de Campo Grande, o custo destes vereadores seria de 47,4 milhões de reais mensais.

Agora fazendo um cálculo também simples, pensando somente no básico, os 5.341 municípios restantes teriam no mínimo 9 vereadores (48069 vereadores), se cada um deles ganhasse 1 salário (fortes risadas sarcásticas), o cálculo da folha seria de 27,2 milhões de reais mensais. Tomando como exemplo, Borá, a cada quatro anos 3 urnas eletrônicas são destacadas para a cidade elegendo com cerca de 30 votos um dos 9 vereadores que ganharão R$ 700 mensais (em 2008 o vereador mais votado teve 69 votos).

Os números acima não são garantidos e devem ser muito diferentes da realidade, mas posso garantir que o rombo é bem maior já que cada vereador ainda tem direito a verba de gabinete para o pagamento dos salários de seus assessores diretos, além de verba indenizatória, auxílio paletó, auxílio alimentação, auxílio gasolina, uma cota mensal de selos e ainda toda a sorte de suprimento para o gabinete.

Em alguns países, cidades que não alcançam um número mínimo de habitantes não são reconhecidas como municípios, então elegem um conselho e este elege administrador para a cidade, tudo isso sem remuneração. No Brasil, até 1975 a vereança gratuita era uma tradição, um exemplo de cidadania que nunca deveria ter “saído de moda”.

Resumindo: Seu município bem que poderia ser o bairro distante do meu ou seus vereadores poderiam votar remuneração zero para os próximos que vierem, afinal, de qualquer maneira eles sempre darão um jeitinho de lucrar.

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Ponderando sobre o futuro em 140 caracteres

24 out

Dizem que para ter uma vida completa você deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, a ordem dos fatores não altera o resultado. Eu plantei uma árvore na pré-escola quando tinha 6 anos e vi ela crescer no jardim do prezinho enquanto passava meus anos letivos na mesma escola, depois de alguns anos da minha formatura ela foi derrubada.

Teoricamente ainda me falta escrever um livro e ter um filho, mas levando em conta o que já escrevi neste blog acho que vou descartar a parte do livro, faltando somente o filho. Este também vou adiar por mais alguns anos.

Devagações à parte, hoje twittei ponderei sobre algo interessante: Se algo monumental acontecer em 2012 ou nos anos que se seguem, e parte da humanidade for destruida, daqui a milhares de anos, nossos descendentes, na sua evolução natural vão fazer escavações e acabarão encontrando vários computadores.. talvez consigam recuperá-los e o que pensarão?

Eu imagino que se encontrarem os servidores do Wikipedia, deduzirão ser um tipo de biblioteca de um povo antigo chamado Wiki. Talvez encontrem o datacenter da Wordpress e chamem de “manuscritos perdidos”, quem sabe algum culto religioso separe alguns deles e chamem de “Wíblia, a palavra de Google”, afinal, se fizer um apanhado de todos os blogs, com toda certeza, o que mais se fala é da empresa de Montain View e seu rebanho de devotos.

Como se tratam de milhares de anos afrente, um novo idioma deverá ser falado, erros de tradução serão constantes, imagine só como serão retratados palavras como iPhone, Facebook, Microsoft e Apple. Em uma tradução livre talvez alguém diga que iPhone foi o primeiro homem e Steve Jobs a primeira mulher, eles comeram a Apple e foram expulsos da Microsoft, daí pra frente sofreram e tiveram um filho chamado Facebook, que matou seu irmão, MySpace. Nessa falácia toda, tenho medo de onde o Twitter e Orkut entram na história.

Loucuras à parte, ainda acho que redes sociais foram criadas por civilizações extraterrestres avançadas para pesquisar o comportaento humano.

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