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Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

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Música, Imagem e Conceito

4 maio

Usar a música em momentos indescritíveis sempre esteve presente nas artes desde o teatro até os filmes mais bem produzidos de Hollywood, sendo assim, na propaganda não poderia ser diferente. Passar uma mensagem através da música, levar o expectador a imaginar uma cena ou um sentimento é um dos principais requisitos de uma boa mensagem de 30 segundos.

A Coca-cola em suas peças institucionais explora isso como nenhuma outra empresa, porém, diferente de outras brands, ela cria músicas e melodias de acordo com a sensação que ela deseja passar e treina o expectador a receber e lembrar dessa sensação cada vez que a ouve.

Para esta estratégia ela usa comerciais mais longos (60 à 90 segundos), rodando massivamente durante uma ou duas semanas, incluindo letra e imagens detalhadas. Depois disso lança uma versão reduzida geralmente sem a letra da música, somente com parte da melodia, convertendo, no momento exato, a música em uma sensação.

Na peça “Mãe você é essa coca-cola toda”, a empresa utilizou poucas imagens e ao fundo a melodia da amplamente divulgada “Já chegou o natal” passando a idéia de harmonia e fraternidade natalina no meio do ano.

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Verdades e Mentiras

19 abr

Já dizia a música de Renato Russo, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”, não sei se a afirmação é de toda verdade, mas na sociedade capitalista do consumo essa “pior mentira” se repete a cada vez que o consumidor compra algo que nunca usa. Se não vai usar, por que comprar? Se não comprar, como saber que não vai usar?

A publicidade vende uma mentira que o consumidor gosta de comprar, e se sente bem por isso. O sujeito fumava o cigarro achando que todas as mulheres gostavam disso, e todas as mulher realmente achavam isso sexy, porque, assim como o sujeito, elas também compravam a idéia da propaganda. Um dia veio alguém e disse que o cigarro fazia mal, mas isso não influenciou no pensamento das pessoas. Então alguém veio mais tarde e disse que a propaganda alimenta esse mal e proibiu a propaganda. As pessoas compraram essa nova idéia e depois de um tempo começara a achar o fumante algo repugnante.

Beber cerveja atrai rodinha de mulheres gostosas, usar tal perfume faz com que aquela garota lhe dê atenção, beber coca-cola lhe faz ver o mundo de maneira diferente, ouvir samba[1990]-pagode[1995]-funk[2000]-emo[2010] faz você ser um cara legal, salve as baleias, os pandas e o mundo do aquecimento global. Viva isso tudo até que alguém proíba ou sugira uma verdade mais interessante.

Todo publicitário é um mentiroso, cria verdades superficiais que o consumidor (mentiroso de si mesmo) finge acreditar. Surge então um novo joguinho: me engane sem fingir, que eu me engano até acreditar.

Mídias alternativas e comunicação dirigida (Case HSBC)

12 abr

Muito além de passar uma simples mensagem, uma peça publicitária tem objetivo de chamar a atenção do receptor, de maneira que o mesmo lembre-se e, se possível, comente o conteúdo, cumprindo o objetivo de propagar.

As mídias tradicionais clássicas, como a imprensa, a TV e o rádio, desempenham o papel de transmitir uma mensagem massificante e repetitiva, para um público que não se surpreende com pouca coisa e já está acostumado a filtrar o que vai receber, conforme explica Joe Cappo no livro “O Futuro da Propaganda”:

Quarenta anos atrás, a televisão era um meio de comunicação novo. Nós assistíamos ao que passasse nela com um elevado sentido de concentração porque ela era tão nova. […] Aquele mesmo nível de concetração se aplicava aos comerciais. Mas isso não durou muito tempo. Assim que os espectadores percebiam que já tinham visto aquele mesmo comercial uma dezena ou uma centena de vezes, eles iam ao banheiro ou ao refrigerador. (CAPPO, 2003, p. 80)

Além da mídia impressa, rádio e TV, também fazem parte das grandes mídias o outdoor e o cinema, a utilização de qualquer outro veículo de informação recebe o título de “mídia alternativa”.

A mídia alternativa reúne todas as mensagens veiculadas em meios não-convencionais. A sua principal característica é aproveitar “oportunidades” para veiculação de mensagens publicitárias em locais que não foram criados para esse fim, como mobiliário urbano, sinalização urbana, meios de transporte etc. (SANTOS, 2005, p. 158)

Recorrer a mídias alternativas é uma estratégia interessante para o anunciante atingir seu consumidor em lugares que ele não espera, chamando a atenção necessária para o seu produto muitas vezes sem ser invasivo ou repetitivo.

No marketing alternativo, quando maior a proximidade com o dia-a-dia do consumidor melhores são os resultados. A fidelização através de mala-direta e brindes personalizados estão entre as suas maiores aplicações, mas o limite está na imaginação do anunciante, podendo surpreender o consumidor desde cancelas de estacionamentos de supermercados até o papel higiênico utilizado nos seus banheiros, ou ainda estar presente na casa do consumidor através de propaganda na embalagem de produtos parceiros ou de um jogo patrocinado (advergame).

Os diferentes tipos de mídia alternativa trazem a proposta de direcionar a mensagem para um público específico, e chamar a sua atenção com uma técnica não-usual e muitas vezes inusitada, tornando o conteúdo da mensagem mais simpático e muito mais difícil de ignorar do que virar a página ou trocar de canal.

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Matrix: A realidade é uma mentira

12 abr

A realidade é um paradigma, é o padrão que todos acreditam e seguem por ser confortável, mas o filme Matrix vem com a proposta de que a realidade é uma mentira, um ciclo repetitivo criado e recriado por máquinas que usam o homem (seu criador) como meras baterias enquanto brincam de jogo da vida.

O filme entra fundo na mente do espectador, provocando seus sentidos e dizendo que este não sabe nem o gosto de um pedaço de carne, e que sua ignorância é uma benção. Porque seguir a mentira da realidade é ignorar o mundo como ele é, e escolher entre uma pílula azul ou vermelha é fazer a escolha de ver ou não o mundo de verdade, longe da sua zona de conforto, um mundo que tem problemas que estão além do seu alcance ao mesmo tempo que todo seu esforço o ajuda a não desandar.

Reconhecer que nada sabe sobre o que está acontecendo a sua volta é a primeira atitude para quebrar o paradigma da realidade e saber que a realidade/verdade como é vista pela sociedade padrão é uma mentira contada (e aceita) para fazer a própria sociedade se sentir bem. Mas diferente de Matrix, para o mundo atual, não existe reload, mas sempre há espaço para revolutions, ou melhor, evolutions.

A vida é chata, reinventar um mundo distorcendo a realidade é uma maneira de torná-la menos maçante. No filme, imitar a realidade é o meio encontrado para manter o espectador se sentindo em casa enquanto começa a mostra-la de uma visão totalmente diferente.

Na comunicação você precisa manter o receptor confortável, imitando, melhorando e reinventando o mundo em que ele vive para que a mensagem seja bem aceita e compreendida. A mímesis é a mensagem codificada confortavelmente oferecida ao receptor.

Um misto das respostas à perguntas sobre o poder da mímesis na comunicação e analogias no filme Matrix.

Filosofia, Publicidade e Propaganda, PUC-GO, 2º período

O que é mito?

5 abr

Mito é uma história contada sobre algo que existe ou aconteceu (tempo), falando de sua origem e muitas vezes detalhando o real ou irreal, ou ainda uma mistura entre os dois tornando mais crível a mensagem.

O ser humano precisa de pouco [tempo] para crer em algo e muito [tempo] para abandonar esta crença. A comunicação explora esta fragilidade humana para fazer o receptor acreditar, se apaixonar, recontar e espalhar mitos [verdades inventadas].

Inventar uma verdade (que pode ou não ser verdade) é a função básica da comunicação social. Criar mitos que logo se tornam reais e demoram para ser esquecidos.

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