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Cultura do improvável

3 set

Designers, músicos, publicitários e etcéteras, tem como missão serem incríveis a cada novo trabalho. A cultura do improvável é uma interação ou experiência excepcional a partir de uma ação imprevisível em um momento memorável, essa cultura guia os profissionais em uma busca incessante do “algo mais” e, as vezes, passa tanto do ponto que é preciso voltar um pouco do “inimaginável” para entregar o somente “inédito”.

Certa vez ouvi que “sua imaginação é o limite”, mas sei que a imaginação do espectador pode ter limites bem mais modestos, e todo aquele valor simbólico da obra acaba por passar despercebido. Mas por que se limitar quando o objetivo é impressionar?

O consumidor vive em um mundo cheio de preconceitos então, se for pra mostrar algo realmente novo, melhor ser improvável, imprevisível e, talvez até, intragável.

Publicidade é o exercício de extrapolar o óbvio, ser criativo, vender ideias e quebrar regras.

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Porque o Windows é tão ruim…

28 nov

Diversas vezes já me perguntaram o porquê de eu defender tanto o Windows, a resposta para esta pergunta é simples: porque ninguém mais o defende, pelo menos não no nicho de onde esta pergunta pode sair.

Sem dúvidas o Linux é estável, rápido e tem um baixo custo para máquina. Distribuições como o Ubuntu são suficientemente boas e fáceis para um usuário convencional que usa documentos de textos, planilhas, apresentações, lê e-mails e navega na internet.

Para mim, Linux é uma plataforma completa e muito interessante, porém não é comparável a toda responsabilidade que o Windows carrega. Responsabilidade? Sim, a responsabilidade de agradar 90% dos usuários de computador no mundo.

“Não podemos agradar a gregos e troianos”, tá aí uma afirmação que ninguém ousou fazer dentro da Microsoft nesses 23 anos de Windows. Segundo dados da Net Applications, no market share de sistemas operacionais o Windows fica com uma fatia de 90.46%, seguido pelo sistema operacional da Apple com 8.21% e pelo Linux com 0.71%, em um interessante 4º lugar vem o sistema usado nos iPhones com 0.33% do mercado.

Toda essa diferença para os concorrentes é uma vantagem? Financeiramente com toda certeza ainda é, mas quando o assunto é inovar/mudar o negócio é bem mais embaixo.

Interface: Lembro-me bem que quando o Windows XP saiu, minha primeira reação foi “que barra azul ridícula!”, achava aquilo feio e um grande desperdício de recurso. Como eu usava o Windows 98 no trabalho e o Windows ME em casa, acabei descobrindo somente meses depois que existia a opção do “tema clássico” e o “ajustar para melhor desempenho”.

Compatibilidade: Não tem coisa mais chata do que receber uma mensagem do tipo “Este aplicativo não é compatível” ou “Seu hardware não é compatível”, a Microsoft evita ao máximo mostrar isso para o usuário. O Windows possui deficiências que só poderiam ser corrigidas refazendo todo o SO.

Usabilidade: Outra coisa que me incomodava no novo Windows era o agrupamento de janelas, quando migrei do ME para o XP foi a primeira coisa que procurei alterar. Pelos dados que a Microsoft tem, mais de 90% dos usuários utilizam janelas agrupadas.

Por este último exemplo fica claro que se o Windows 7 não tiver a opção de “desagrupar janelas” e não der uma solução melhor, cerca de 14x o número de usuários de Linux ficarão decepcionados e poderão não migrar para nova versão. Pelo exemplo anterior, se a webcam integrada ao seu note não for compatível com o Windows 7, você com certeza não migrará.

O que quero mostrar com estes exemplos é que, nos níveis mais simples, para fazer qualquer alteração em uma nova versão, o Windows corre o risco de desagradar milhões de usuários e prejudicar seu modelo de negócio. Uma alteração mais brusca pode fazer com que softwares que você usa no dia-a-dia não estejam disponíveis na nova versão ou o hardware que você usa ocasionalmente cause um erro no sistema cada vez que plugado na máquina.

Os erros são outro ponto que pesa contra o Windows, não vou dizer que o sistema não tenha os seus próprios, mas nem todos são culpa do coitado. Hardware mal configurado, software mal desenvolvido e usuário mal informado ainda são as principais causas de erro no Windows.

O Windows foi feito para rodar em qualquer PC, seja ele montado pela HP, Dell ou pelo seu primo entendido. Graças a distribuição garantida, toda empresa de tecnologia quer fazer um software ou hardware compatível com os Windows, infelizmente nem todas conhecem ou obedecem aos limites do sistema.

Em um exemplo recente, a Google desenvolveu um software para o iPhone utilizando uma função do aparelho que nem havia sido documentada pela Apple. A produtora do smartphone não documentou pois ainda está em teste e pode causar travamento no aparelho.

Explorar funções desconhecidas do sistema é um trabalho árduo, que exige muito tempo e disposição, este é o princípio do vírus. Assim como as empresas de tecnologia apóiam seus produtos na distribuição do Windows, os produtores de vírus gastam seu tempo procurando falhas ou meios de criá-las para cumprir seu objetivo.

Entre os objetivos da pessoa por trás do vírus estão: expor uma falha, causar danos, fazer fama, roubar informações ou valores, entre outros, mas independente do objetivo, ele depende diretamente do número de usuários que serão atingidas e procurar meios de atingir 90% do mercado é bem mais vantajoso do que 8% ou 0.7%.

Usuários é o ponto final quando se fala de Windows, afinal todo sistema é voltado para ele. Se o sistema é voltado para ele e ele é o dono do sistema, porque economizar? Ele quer mais é utilizar ao máximo, instalar aplicativos, customizar, testar coisas diferentes, navegar sem barreiras, etc. Mas o sistema é como uma casa, quanto mais você o usa, mais ele ficará gasto e sujo, chegando a um momento que sem uma boa faxina você não conseguirá nem girar a chave.

O caminho mais rápido para o usuário comum geralmente é demolir a casa e começar novamente, eu já prefiro organizar e otimizar, mas daí vai da força de vontade e conhecimento de cada um.

Não ganho nada para defender o Windows. Como não sou um estudioso do sistema vou continuar perdendo em argumentos para os fanáticos concorrentes, mas continuo defendendo porque respeito o trabalho que a Microsoft desempenha para manter o sistema, e respeito ainda mais o desafio que ela tem pela frente.

A grande vantagem é que, querendo ou não, o Windows serve muito bem a mais de 90% dos 90% dos usuários mundiais de computador. Tenho meu Windows Vista e estou feliz com ele, e você?

PS: O pessoal do desenvolvimento do Windows 7 está dando um show de informações no blog, para quem quiser informações mais detalhadas do que comentei aqui acesse http://blogs.msdn.com/e7br/

* Fiz meu primeiro cursinho em Windows 3.11, o segundo em Windows 95 e meu primeiro computador trazia o 98. Mantive o 98 por 3 anos, mudei para o ME (Millenium Edition) por mais 3 anos e em 2004 comecei a usar o Windows XP. Em meados deste ano instalei o Windows Vista 64 no meu Turion 64 2.2Ghz com 2GB de memória e 160GB de espaço em disco.
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