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Escolhas e escolhas

11 nov

Entre as centenas de correntes malucas que já recebi por e-mail [e nunca repassei] a que mais me chamou atenção foi uma apresentação de PowerPoint que comparava a vida com uma viagem de trem. O texto é uma daquelas histórias melosas, com diversas mensagens de auto-ajuda permeando os versos, autoria de Silvana Duboc e hoje já tem até versão narrada no YouTube, mas o interessante é que falava de pessoas que vêem e vão nas nossas vidas.

Usando meu direito de interpretação, acho que não compararia a vida com a viagem, mas sim com várias viagens, onde você escolhe destinos que trazem e levam pessoas, às vezes você retorna, certas vezes só fica a saudade. São escolhas que trazem conseqüências ocultas, mas você geralmente não as percebe até aproveitar ao máximo os frutos da escolha.

Trabalho, amor, família, sonhos ou mensagens malucas vindas do além são motivadores principais de escolhas mal feitas. Sonhos costumam ser razoáveis, já que o pior cenário é a própria decepção e encontram uma estação segura na família, esta que tenta se mover sempre na mesma direção, enquanto mensagens malucas fazem pessoas se jogarem de trens e abreviar suas histórias. Mas o pior de todos é o trabalho, onde as consequências geralmente afetam diretamente todos os outros motivadores.

Talvez o mais cruel do trabalho é que, muitas vezes, mesmo estando no mesmo vagão o viajante está adormecido, e quando acorda percebe que já chegou ao destino e nem teve tempo para espiar a paisagem, pois tentou tanto ser bem sucedido, que esqueceu de ser um ser humano de valor [Einstein].

Ah, quanto ao amor? Para esse, todas consequências são perdoáveis.

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Microsoft dos anos 90

31 ago

Quando o assunto é “melhor empresa para se trabalhar” o nome da Google geralmente encabeça a lista. Horários flexíveis, alimentação gratuita variada, massagem para os funcionários, jogos durante o expediente e até aquela folguinha para dar um mergulho.

A mídia mostra a gigante das buscas como uma empresa liberal e inovadora na maneira como trata seus funcionários, fazendo com que profissionais da área alimentem o desejo de trabalhar na Google ou ainda, larguem qualquer outra empresa para isso. Alimentar a idéia e estar no topo de todas as listas faz parte dos objetivos da empresa, atraindo os melhores para seu grupo de trabalho.

O método de trabalho da Google não é exclusivo e nem mesmo inovador, a maioria das jovens empresas dotcom trazem consigo a idéia de deixar o profissional cada vez mais a vontade para desenvolver seu trabalho. Alías, entre as concorrentes da Google, temos a Microsoft que sempre levantou a bandeira de “faça como achar melhor, desde que cumpra suas metas”.

Antes mesmo da Google desabrochar, a Microsoft já era notícia aqui no Brasil e em todo mundo por sua maneira diferente de tratar seus empregados, mas com o aumento das responsabilidades e do quadro de funcionários a empresa teve que impor algumas restrições. Restrições que também estão sendo adotadas pela Google nos últimos anos, que hoje controla até o que seus funcionários comem, agora fica a dúvida: Será que com o tempo as empresas percebem que a produtividade não justifica/paga tais regalias?


Matéria sobre a Microsoft exibida pelo Fantástico nos anos 90.

 

A dança da chuva

2 mar

Paciência nunca foi uma das minhas melhores qualidades, não gosto de decisões demoradas ou de esperar por algo que já deveria ter chego. Sobretudo, sou do tipo que faz questão de chegar atrasado para não ter de esperar.

Você já parou para contar quantas vezes olhou para o relógio, celular ou observou uma placa distante enquanto espera por alguém? Sei, isso realmente é um saco, mas é o mais puro conceito da famosa dança da chuva. Você se mantém dançando até que ela caia. Sempre funciona.

Ao contrário de nossos nossos ancestrais, a metereologia e o forno microondas nos educaram a não esperar até a chuva chegar. Hoje preferimos praticar uma nova técnica: reclamar até ela cessar.

Minha técnica atual para driblar meus anseios é me manter ocupado com subtarefas do objeto principal da minha impaciência, isso me deixa ocupado o suficiente para não precisar reclamar.

Basicamente, minha técnica se baseia em “me manter dançando até que ela caia”, ou pelo menos até que o primeiro escorregão me faça perceber que não adianta esperar e é melhor partir para outra.

Carnaval e o ócio criativo

24 fev

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou desses que conta os dias para o carnaval, se veste de mulher e vai entoando marchinhas até o amanhecer.  Ao contrário, faço mais o estilo que fica em casa, no sofá, assistindo a Mangueira [escola de samba] entrar [na Sapucaí].

Sei que pode parecer triste, mas pra mim o que sempre importou no carnaval foi o feriadão. Alias, sempre não, porque na minha pré-adolescência também era sinônimo de peitinhos na TV.

Balelas a parte, nesta segunda-feira de carnaval, eu trabalhei. Nesta terça-feira de carnaval, também irei trabalhar. Na quarta-feira de cinzas então, nem preciso dizer. Tenho que confessar que é broxante ver as ruas vazias, restaurantes fechados e todos elevadores no térreo. A cara de tédio e os resmungos constantes deixavam claro que o sentimento era compartilhado em todo o escritório.

Logo no início da manhã já dava para perceber o quão produtivo seria o dia, mas não tenho do que reclamar. Afinal, não gosto de carnaval e troquei meu feriado por um dia de folga na semana passada.

Apesar de amar o que faço, nessas horas gostaria de trabalhar no chão de fábrica. Não digo isso porque muitas empresas deram folga no carnaval só para diminuir os efeitos da crise, mas porque mesmo desmotivado eu conseguiria executar funções repetitivas.

Bem, talvez eu tenha mesmo que agradecer por estar trabalhando hoje. Mas ainda não entendo como empresas baseadas em conhecimento, conseguem achar que um dia como este pode ser mais lucrativo do que ter um funcionário feliz, descansado e satisfeito o ano inteiro.

PS: O próximo post como esse será no dia 26 de dezembro, comentando sobre o período “entre o Natal e o fim do mundo”.

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