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Blog corporativo, não é pra qualquer um

26 fev

Se o comunismo reinasse no mundo e a publicidade ainda assim existisse, seu princípio básico seria: Se sabe que não vai dar certo, encontre algo que dê. Mas na nossa comunidade egoísta e capitalista a coisa funciona mais no “vamos faturar em cima do cliente até ele descobrir que isso não funciona e anunciar no programa do João Cleber”.

Muito além de palavras jogadas ao vento, um post em um blog é uma maneira de compartilhar formas de pensamentos, sejam eles utilidades ou futilidades, a mensagem vale a repercussão conteúdo. Ou seja, se ele será um fracasso ou um sucesso.

O blog corporativo é a maneira que a empresa compartilha sua forma de pensar, é nessa hora em que entra o departamento de marketing e uma boa agência de publicidade para responder: A empresa pensa em…?

Respondendo esta pergunta, profissionais altamente qualificados vestem sua capa de ghost-writer e transformam a idéia de blog em uma excelente ferramenta repetidora de press-releases e um belo catálogo de supermercado. Para tornar o blog mais atraente e interativo, definem um espaço especialmente reservado para a última campanha veiculada na TV e incluem link para o moderníssimo Twitter da @empresa, que consegue concentrar em 140 caracteres o título do último post  e um link reduzido para ele.

Se você é publicitário, leu a fórmula mágica do parágrafo acima e gostou da idéia, parabéns, seu cliente é o “qualquer um” do título deste texto e um blog corporativo, definitivamente não é bom para ele.

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Como acabar com um “beta fiasco” em menos de 6 meses

22 nov

A palavra “beta” é comum a muito tempo entre desenvolvedores de software, mas foi a Google que conseguiu colocar esta palavra tão fortemente no nosso cotidiano a ponto de haver até empresa de telefonia celular versão beta.

Hoje em dia lançar um software/serviço na versão beta é uma forma moderna de tirar o corpo fora de qualquer problema, é o jeito mais gentil de dizer “não tá pronto, então não reclama” e foi essa a maneira escolhida pela Google ao anunciar o fim do seu metaverso Lively

Lançado em julho deste ano, o Google Lively é um ambiente virtual onde o usuário cria avatares e ambientes para interagir com outros usuários, basicamente o mesmo objetivo do famoso Second Life, exceto pelo fato de ser acessado diretamente navegador e exigir uma configuração bem mais modesta.

Uma das características da minha profissão é estar “antenado”, isso inclui conhecer e ter uma opinião sobre quase tudo o que existe na internet. Claro que tenho a escolha de ler somente as releases, me cadastrar e testar ou mergulhar fundo no serviço… com o Second Life eu preferi ficar somente as releases e basiei nelas minha opinião: não vai muito longe, é pesado, não atinge a massa e tem um tema muito fraco.

Daí para frente comecei a ignorar as notícias, até que um dia, zapeando a TV, assisti a uma reportagem sobre empresas gastando milhares de dólares no jogo.. na mesma hora pensei “merda, mordi a língua!”.. corri para o computador e baixei o programa para testa-lo. Minha opinião depois de 3 horas no jogo foi: é pesado, não atinge a massa, tem um tema muito fraco e vai ter uma queda brusca quando perceberem isso. 

Reconheço que o Second Life teve um papel importante na evolução da internet, principalmente no “gerenciamento de identidades” e as empresas que souberam a hora de pular fora, se beneficiaram muito.

Fiquei sabendo do Google Lively alguns dias após seu lançamento, na notícia não ficou muito claro suas características e então a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi testa-lo. Diferente do Second Life, minha primeira experiência foi excelente, rápido e fácil de usar a aplicação não exigia muito da máquina e apresentava uma boa gama de customizações.

Enquanto motava meu “room”, comecei a imaginar no potencial da aplicação, imediatamente vi avatares tomando conta do Orkut, blogs interativos, paginação de resultados 3D, integrações com Youtube e Picasaweb através de gadgets feitos no SketchUp, publicidade baseada no histórico do ambiente e um vasto marketplace.

Naquele dia fiquei até quase 3 horas da manhã acordado interagindo com os usuários, isso me custou alguns minutos de atraso no dia seguinte, mas a primeira coisa que falei quando cheguei no escritório foi: “Preparem-se, aí vem mais uma bomba da Google”.

Na sexta passada vi em meus feeds o título “Google tira o mundo virtual Lively do ar“, depois de ler a notícia fiquei realmente surpreso e motivado a escrever este post. Segundo a empresa, eles querem voltar o foco a publicidade e busca, afirmaram ainda que aceitam “que quando se assume alguns riscos, nem toda aposta dá certo”.

Depois de um singelo lançamento, Lively teve menos de 6 meses de vida e nenhum investimento em integração. Um dos pontos fortes anunciados era a integração com blogs, mas o Blogspot não recebeu nenhum widget facilitando isso. O serviço foi anunciado em meio ao lançamento do OpenSocial, porém não houve nenhum aplicativo para o Orkut.

Resumo polêmico: É certo afirmar que se o Google tivesse medo de fracassar não seria a metade da empresa que é hoje, porém também pode-se afirmar que se o Google fosse a metade da empresa que é hoje não cometeria tantos erros.

PS¹: Levando em conta a última cotação da NASDAQ, a Google é quase 1/3 da empresa que era ano passado. Se continuar nesse ritmo, ano que vem a MS compra com o dinheiro que economizou não comprando a Yahoo!.

PS²: Ficam meus votos para que a Srta. Wang (que desenvolveu o Lively em seu 20% Project) volte para a Microsoft Games.

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